10 livros infantis que são clássicos da literatura contemporânea

02 de abril de 2020

Mesmo em tempos de entretenimento por meio de telas, o livro continua a ser uma importante ferramenta de resgate da imaginação e do brincar. Confira dicas de livros infantis contemporâneos para ler e se divertir com as crianças


Alice no País das Maravilhas, O Patinho Feio, Cinderela, João e Maria: crianças e adultos de todas as partes do mundo reconhecem esses títulos como clássicos da literatura infantil. Outras obras importantes de autores como os Irmãos Grimm (Rapunzel) e Charles Perrault (Chapeuzinho Vermelho) também atravessaram séculos e fronteiras para serem recontadas ao longo das gerações.

Com o passar do tempo, os livros infantis foram se moldando a novas possibilidades: seja por meio de um formato inovador, de uma oportunidade de interação com os sentimentos dentro da narrativa, ou ainda de uma abordagem lúdica sobre temas atuais e relevantes.

Novos formatos surgiram, como livros que imitam objetos e narrativas que exploram elementos visuais, e tornaram o momento da leitura um aprendizado ainda mais divertido, estimulando a imaginação e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Em um mundo cada vez mais conectado por telas, os livros são ainda uma importante ferramenta para ajudar os adultos no desafio de diversificar as atividades com as crianças, já que a partir das histórias elas organizam um universo cheio de possibilidades de brincadeiras.

O Brasil é o país com as crianças mais conectadas do mundo. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil, divulgada em setembro de 2019, mostram que 86% das crianças entre 9 e 17 anos usam a internet constantemente. De olho neste cenário e pensando na importância do equilíbrio para o desenvolvimento na infância, a Vivo lançou a iniciativa Vivo Brincar, que estimula as crianças a deixarem um pouco de lado os celulares, videogames e computadores. A leitura e a contação de histórias estão diretamente relacionadas ao brincar e podem ser uma alternativa interessante para limitar o tempo de tela das crianças.

Contamos com a ajuda da jornalista e especialista em livros infantis Aryane Cararo para selecionar livros de dez países que são clássicos na literatura infantil contemporânea. Confira a seguir:

O Povo das Sardinhas
Delphine Perret

Capa do livro infantil O povo das sardinhas, que é em formato de uma lata na cor branca com bordas azuis e pequenas sardinhas desenhadas.

A brincadeira começa pelo formato. O livro se apresenta, de fato, como uma lata de sardinha! Ao abrir a embalagem, as crianças encontram a história da autora e ilustradora francesa, Delphine Perret. Ela narra a origem de um povo que nascia de uma árvore, a sardinheira. Nenhum homem tinha o direito de cultivar uma árvore própria. Mas quando Maurício, o personagem principal, decide contrariar as regras, o povo das sardinhas enfrenta a ganância do homem pela primeira vez. O livro traz uma importante lição sobre o respeito à natureza e ao direito do outro.

Fico à Espera
Serge Bloch e Davide Cali

Capa do livro Fico à espera é em formato de carta, trazendo selos dos Correios e no lado direito a cara de um garotinho sorrindo.

O escritor sueco-italiano Davide Cali e o ilustrador francês Serge Bloch uniram seus talentos para contar a história de um homem através de um fio. O traço corresponde ao fio da vida, e, ao longo de sua extensão, o personagem fica à espera de uma série de situações. À medida que espera, vive. Os artistas mostram o poder e a importância das pequenas coisas que nos moldam ao longo da vida.

O Pato, a Morte e a Tulipa
Wolf Erlbruch

Capa do livro infantil O Pato, a morte e a tulipa mostra traz o desenho de um pato branco longilíneo que olha para o céu, com o bico alongado para cima.

Como ensinar uma criança a lidar com a perda? O autor alemão Wolf Erlbruch oferece uma solução poética e delicada para trabalhar essa questão com os pequenos. A história de uma amizade inesperada entre um pato e a morte faz com que essa etapa se transforme em uma jornada leve repleta de companheirismo. As ilustrações trazem o lúdico a uma temática difícil. A obra ganhou uma adaptação cinematográfica.

 

 

 

 

 

Vozes no Parque
Anthony Browne

Capa do livro infantil Vozes no parque traz um caminho pavimentado em meio a um gramado e sobre a grama fileiras de árvores com folhas avermelhadas enfileiradas, à esquerda e à direita.

O autor e ilustrador britânico Anthony Browne é uma referência incontestável da literatura infantil contemporânea. Vencedor de um dos prêmios mais importantes nesta categoria, o Hans Christian Andersen Awards, Browne encanta pela visão apurada e divertida de suas obras. Ele conta esta história a partir de quatro pontos de vista: o de um pai gorila desempregado, o da filha dele, o de uma mãe gorila rica e o do filho dela. Todos se encontram no parque e cada voz é representada por fontes de diferentes estilos, trazendo a mensagem de que o respeito pela diferença é o primeiro passo para o diálogo.

 

 

 

A Revolta dos Gizes de Cera
Oliver Jeffers e Drew Daywalt

Capa do livro infantil A Revolta dos Gizes de Cera traz quatro gizes, um laranja, um azul, um verde e um vermelho, que segura um cartaz onde está escrito o nome do livro. Todos estão com expressão de protesto.

Já imaginou abrir uma caixinha de giz e encontrar cartas endereçadas a você? É isso que acontece na história do ilustrador irlandês Oliver Jeffers e do escritor Drew Daywalt. O menino Diego, que gosta muito de desenhar, se depara com um protesto organizado pelos seus gizes. Cada cor tem uma reclamação a fazer, seja por excesso de trabalho, falta de uso e até mesmo pela disputa da cor do Sol. A mensagem é clara: nem tudo tem que ser como o mundo real. A criatividade é recompensadora!

 

 

 

 

Onde Vivem os Monstros
Maurice Sendak

Capa do livro Onde Vivem os Monstros traz um personagem que lembra a figura de um boi, mas tem pés humanos sentado com o queixo apoiado nas mãos debaixo de palmeiras.

Maurice Sendak foi um autor e ilustrador judeu americano que ficou internacionalmente conhecido por esta obra, adaptada para o cinema em 2009. Publicado pela primeira vez em 1963, o livro já vendeu mais de 19 milhões de cópias pelo mundo. Conta a história de Max, um garoto de cinco anos, que é colocado de castigo pela mãe após aprontar suas travessuras. No quarto, entediado e sozinho, o garoto começa a imaginar um mundo fantástico onde conhece todos os tipos de monstros. Seus monstros interiores. Debate o amadurecimento e também sobre a complexidade das crianças como seres integrais.

A Árvore Vermelha
ShaunTan

Na capa do livro infantil A Árvore Vermelha uma personagem com cabelo laranja está pensativa com as mãos apoiando a cabeça e debruçada na beira de um barco de papel azul cujas sombras se refletem em um lago.

Com ilustrações surrealistas e cotidianos pintados com toques de fantasia, o autor e ilustrador australiano ShaunTan, aposta num universo cheio de imaginação para fazer com que as crianças sintam-se parte da narrativa. Conta o dia de uma menina que se sente sozinha, triste e sem sorte até que uma árvore vermelha aparece e começa a crescer, transformando esses sentimentos em esperança. É um delicado aviso de que até os piores dias do mundo tem fim.

 

 

 

 

Sombra, Onda e Espelho
Suzy Lee

Capa do livro Sombra, Onda e Espelho traz três quadros: em um deles uma menina e um bicho brincam com suas sombras; no abaixo dele, a mesma personagem está em frente ao mar, encarando uma onda; no terceiro, ao lado dos outros dois, a menina olha para cima em direção à palavra espelho, cujas letras estão refletidas, formando abaixo a mesma palavra espelhada.

A autora sul-coreana Suzy Lee é uma das que utiliza o livro como um brinquedo. Sombra, Onda e Espelho são três volumes que se complementam. Funcionam como uma brincadeira interativa que inova em formatos e jeitos de manusear. Cada um deles, lidos separadamente, assume a interpretação de uma garota em relação aos temas dos títulos. As crianças são convidadas a virar o livro de ponta cabeça, girá-lo e interagir com a narrativa usando a imaginação.

À Esquerda, à Direita
Jimmy Liao

Capa do livro infantil À esquerda, à direita traz uma fonte em destaque. À direita, uma pessoa vestindo capa encara outros dois personagens no lado esquerdo, sendo que um deles está sentado e o outro está andando e encarando de volta.

Solidão, respeito ao outro, beleza da vida. Esses são alguns temas que podem ser encontrados nas obras do autor e ilustrador chinês Jimmy Liao . Ele trabalha o desencontro de duas pessoas que tomam caminhos diferentes. Além de explicar sobre o respeito pelas escolhas de cada um, o livro ensina outro belo tema, para crianças e para adultos: a inevitabilidade da vida.

 

 

 

Ter Um Patinho é Útil
Isol

Livro infantil Ter um patinho é útil traz um pato de borracha amarelo desenhado com contornos pretos na capa.

Vencedora do prêmio Prêmio Astrid Lindgren Memorial, a autora e ilustradora argentina Isol, foi homenageada por conseguir traduzir a complexidade do mundo adulto para as crianças. Ela constrói uma narrativa divertida que trabalha duas percepções sobre a utilidade. De um lado, um garoto conta por que ter um patinho de borracha é útil. Do outro lado do livro, é a vez do patinho contar por que ter um menino o beneficia. É uma excelente oportunidade de mostrar que toda história tem dois lados, e fazer as crianças refletirem sobre sua autoimagem sob o olhar do outro.

Os clássicos nacionais

Autores e ilustradores brasileiros também merecem ser citados! A autora Ana Maria Machado (Menina Bonita do Laço de Fita) recebeu, em 2000, o Prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante da literatura infantil. Além dela, o cartunista Ziraldo (O Menino Maluquinho) também foi homenageado ao levar o Nobel Internacional de Humor, no Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas.

Esses são só alguns exemplos das homenagens recebidas pelos autores nacionais, mas existem muitas outras obras a serem relembradas. Releia: 10 livros do universo infantojuvenil que marcaram a literatura brasileira.



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