Animação propõe conscientizar crianças para uma vida mais saudável

01 de junho de 2020

Finalista de prêmio que incentiva inovação da comunidade médica, os episódios de As Aventuras de Lelé já chegam a 2 milhões de visualizações


Medo do escuro, a importância de escovar os dentes, o fim das fraldas, conversa sobre sentimentos, a chegada do irmãozinho. Esses são alguns dos temas abordados pela série de animação infantil do YouTube As Aventuras de Lelé, finalista do  Prêmio Euro 2020, que coroa os profissionais da saúde que buscam soluções inovadoras para aumentar a qualidade de vida e o bem-estar dos brasileiros.

Mais de 15 mil profissionais da saúde de todo o país votaram nos 100 melhores projetos apresentados, de 1.600 inscritos. “Nós ficamos surpresos de estar entre os finalistas. Isso mostra o reconhecimento da importância de encontrar novas formas de comunicar conteúdos relevantes de saúde para as famílias”.

A avaliação é do pediatra Fábio Bozelli, idealizador e criador da série, junto com uma pequena equipe formada por familiares e amigos que atuam em diferentes canais da televisão a cabo. Os especialistas também já rodaram algumas escolas da região onde atuam, em Sorocaba, no interior de São Paulo, para testar a adesão das crianças ao projeto.

Na imagem, a equipe responsável pela animação As Aventuras de Lelé posa para foto em grupo

 

A seguir, Fábio Bozelli fala sobre a importância de unir saúde, educação e tecnologia para conscientizar famílias e promover bem-estar. Confira:

 

Vocês não são originalmente produtores de conteúdo. Por que decidiram criar um projeto de animação infantil?

Fábio Bozelli: Faz mais de cinco anos que nós sentimos a necessidade de ter uma comunicação mais próxima com as famílias, de levar informações sobre prevenção de doenças e hábitos saudáveis para além daquele dia a dia do consultório. Somente em 2018, decidimos tirar a ideia do papel e, para nossa surpresa, a adesão foi grande.

 

O canal já está com mais de 10 mil inscritos. Por que vocês acham que fez tanto sucesso?

Fábio Bozelli: Acho que nós estamos conseguindo nosso objetivo: despertar cuidados de saúde física e emocional, quebrando mitos, inspirando cuidados preventivos e encantar as crianças. Por isso a escolha da animação, e transformar, através da informação, a vida das famílias. Através da comunicação, a gente chega em populações que muitas vezes não recebem orientações adequadas. E é isso que queremos.

Toda essa conversa sobre saúde, aliás, acabou se revelando ainda mais fundamental nos dias de hoje. Com essa pandemia, as famílias estão percebendo o quanto é importante falar sobre cuidados e prevenção de doenças com seus filhos.

 

Como fica o equilíbrio entre estimular o consumo de conteúdos que ensinam e a limitação do tempo de tela, recomendado pela Organização Mundial de Saúde?

Fábio Bozelli: O fato é que não podemos negar a realidade: as crianças estão muito mais antenadas com o mundo virtual do que muitos adultos imaginam. Ainda mais agora. É caminho sem volta. Além disso, a plataforma nos dá alcance, ajuda a informação chegar a muito mais pessoas. Nós podemos usar essas ferramentas para levar um conteúdo de qualidade, mas fazemos isso de forma responsável. Tanto é que o nosso episódio de estreia, Acabou a Luz!, exalta a importância de se desligar da tecnologia por um tempo e focar em atividades desconectadas.

 

Como escolhem os temas e como transformam assuntos mais técnicos em algo que encante o público?

Fábio Bozelli: Nós queremos que os episódios abordem temas importantes, mas de forma natural. Queremos contar a vida da forma como ela acontece e para isso trazemos personagens que representam a diversidade. Temos, por exemplo, um que têm uma perna mecânica. Outro, o rinoceronte, é adotado por uma família de flamingos. Assim a gente fala de inclusão e adoção de uma forma mais sutil.

Escolhemos os assuntos que achamos que devem ser trabalhados com as famílias. O episódio Hora da Vacina, por exemplo, fala da importância da vacinação e traz aspectos positivos, inclusive para ajudar as crianças a superarem o medo da picada.

Depois de escolhermos o tema, nós fazemos um trabalho técnico de elencar as informações mais relevantes sobre ele, buscar estudos que embasam o conteúdo. A partir daí, escrevemos o roteiro. Todo mundo da equipe lê e coloca a mão e esse olhar multidisciplinar é justamente o que nos ajuda a superar o grande desafio que é adaptar um conteúdo médico para leigos e para o público infantil.

 

Vocês apresentaram o projeto em algumas escolas. Como foi a recepção das crianças? Acha que é importante estreitar a relação entre saúde e educação, especialmente para crianças na primeira infância?

Fábio Bozelli: Nós testamos o projeto em três escolas da região de Sorocaba, com crianças de 5 e 6 anos. Foi impressionante ver como elas receberam o conteúdo. O professor falando é uma coisa, mas quando você mostra um vídeo e depois um livro sobre temas importantes e as coloca para discutir entre si, os resultados são muito mais efetivos. As escolas já abordam temas fundamentais para saúde e bem-estar infantil, mas quanto maior a diversificação de estratégias, melhor o resultado.

E a escuta é importante. A riqueza dos debates que elas mesmas tocam, a curiosidade que elas têm sobre os assuntos. Nós, adultos, temos um processo de imaginar o que as crianças pensam, num olhar empático, mas só quando fazemos um exercício desse de escuta é que enxergamos a riqueza que é como elas absorvem os conteúdos. Esse foi o nosso maior aprendizado com essa experiência.

 

Confira abaixo um episódio de As Aventuras de Lelé:



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