Pensamento computacional está em alta e não requer uso de computador

31 de maio de 2019

Entenda a importância de trabalhar esta competência na escola e baixe um guia com o passo a passo para integrá-la no currículo


Na década de 60, a corrida espacial travada na Guerra Fria culminou com a chegada dos americanos à Lua. Um grupo de mulheres negras e cientistas da NASA foi fundamental para a conquista, já que calculava manualmente equações necessárias para que as viagens espaciais acontecessem. A história é retratada no filme Estrelas Além do Tempo, lançado em 2016.

Com a missão de fazer o homem viajar pelo espaço, o grupo usava uma série de competências que passavam pela reunião de informações, decomposição do problema em passos, reconhecimento de padrões e criação de algoritmos. Tais competências se assemelham ao modo como o computador opera – o que explica o apelido de “computadores humanos”, que as cientistas receberam.

Tais habilidades são cada vez mais valorizadas e embasam o que é conhecido como pensamento computacional.

“O chamado pensamento computacional é uma distinta capacidade criativa, crítica e estratégica de usar os fundamentos da computação nas mais diversas áreas do conhecimento com a finalidade de identificar e resolver problemas de maneira individual ou colaborativa”, explica Christian Brackmann, professor do Instituto Federal Farroupilha (RS) e autor da tese doutorado Desenvolvimento do Pensamento Computacional Através de Atividades Desplugadas na Educação Básica.

A educação para o século XXI pede pelo desenvolvimento dessas competências, tanto que a Base Nacional Comum Curricular estabeleceu a Cultura Digital entre as Dez Competências Gerais para a educação básica.

De acordo com o texto oficial, o pensamento computacional está inserido nesse quesito e “envolve as capacidades de compreender, analisar, definir, modelar, resolver, comparar e automatizar problemas e suas soluções, de forma metódica e sistemática, por meio do desenvolvimento de algoritmos”.

Lúcia Dellognello, Diretora Presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), declarou durante o congresso de educação e tecnologia Bett Educar 2019 que ao reforçar o compromisso de trabalhar a cultura digital na educação básica, o Brasil se igualou aos países mais avançados no uso de tecnologia e educação do mundo.

“O pensamento computacional tem sido considerado como um dos pilares fundamentais do intelecto humano, junto à leitura, escrita e aritmética. Isso porque ele também é aplicado para descrever, explicar e modelar o universo e seus processos complexos”, diz Lúcia.

 

Como funciona?

Ao contrário do que o nome pode sugerir, pensamento computacional não requer o uso de um computador. A ideia está relacionada a desenvolver uma nova e criativa forma de pensar em que professores, crianças e adolescentes aprendam a levantar problemas e buscar soluções a partir de uma sequência de passos e processos e usando o raciocínio crítico e lógico.

Assim, o pensamento computacional envolve:

. Abstração: filtragem e classificação de dados para resolução de problemas;
. Algoritmos: construção de orientações claras para a resolução de problemas;
. Decomposição: divisão de problemas complexos em partes menos para facilitar a solução;
. Reconhecimento de padrões: identificação de padrões entre os problemas levantados.

“Programação e pensamento computacional são citadas em dez de dez listas de habilidades essenciais para o futuro do trabalho”, diz Luciano Meira, professor na Universidade Federal de Pernambuco e colaborador do C.E.S.A.R (Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife).

O mundo de transformação digital em que vivemos exige cada vez mais que os seres humanos estejam bem apropriados das linguagens e ferramentas da cultura digital. Assim, os benefícios da aquisição dessa habilidade incluem melhor compreensão dos fenômenos do mundo e da transversalidade de áreas do conhecimento, auxílio na alfabetização digital e o preparo para trabalhar com profissões que ainda nem sequer surgiram.

 

O pensamento computacional na escola

Mas como falar de cultura digital se minha escola não tem infraestrutura e conectividade?  Segundo Lúcia Dellognello, muitas habilidades podem ser trabalhadas com atividades desplugadas, ou seja, que não precisam necessariamente de computador para que os alunos entendam os fundamentos da tecnologia. “Trabalhar com reconhecimento de padrões na educação infantil, por exemplo, pode ser feito através de uma atividade com blocos de madeira coloridos”.

De acordo com levantamento do Programaê – uma iniciativa da Fundação Telefônica Vivo em parceria com a Fundação Lemann para aproximar jovens de escolas públicas e educadores da programação, algumas tendências podem ser identificadas em currículos que envolvem o pensamento computacional.

Entre elas está o foco em trabalho em equipe, empreendedorismo e protagonismo do aluno, instalação de redes e práticas colaborativas, além da articulação de diversos componentes curriculares em atividades que trazem impacto positivo na escola ou na vida dos estudantes.

Para ajudar escolas e educadores a driblar limitações e trabalhar o pensamento computacional de forma mais significativa, o guia do Programaê, com download gratuito, combina teoria e prática para a construção de uma metodologia, com passo a passo, exemplos de escolas que já fazem e orientações para a formação



18 comentários sobre “Pensamento computacional está em alta e não requer uso de computador”

  1. O pensamento computacional parte da problematização da realidade ou de fatos apresentados, levando professores e alunos levantarem hipóteses a serem testadas através do pensamento lógico. Requer atenção, análise, reflexão para solucionar um problema apresentado.

    1. Fundação Telefônica Vivo disse:

      Olá, Francisco,
      o seu comentário é muito importante para nós.
      Obrigada e continue nos acompanhando!

  2. Antônia Reginalva disse:

    Existem formas de trabalhar com recursos tecnológicos sem estarmos conectados a internet, e o pensamento computacional faz com que alunos e professores levantem problemas, hipóteses em busca de soluções, seguindo padrões, uma sequência de passos, utilizando o raciocínio lógico e crítico. Precisamos trabalhar a cultura digital com nossos alunos, pois precisamos acompanhar os avanços tecnológicos, e nos apropriamos dessa competência digital.

    1. Fundação Telefônica Vivo disse:

      Olá, Antônia
      Agradecemos seu comentário, é muito importante para nós. Continue nos acompanhando.

      Abraços!

    2. Vanderleia Cardozo disse:

      Vivemos na era digital, onde tudo acontece rapidamente, onde há muitas informações o tempo todo, então nos professores temos que nos atualizar sempre nessa questão. Infelizmente a realidade de nosso país não permite que todas as escolas tenham acesso a esses recursos tecnológicos, mas podemos ajudar aos alunos em desenvolver o pensamento computacional, assim como aconteceu na década de 60 com a equipe de cientistas da NASA, onde eles desenvolveram diversas competências. E assim podemos instigar nossos alunos a desenvolverem as competências gerais, colaborando para que no futuro eles se tornem cidadãos criativos, responsáveis e críticos.

      1. Fundação Telefônica Vivo disse:

        Olá, Vanderleia

        Agradecemos seu comentário, é muito importante para nós. Continue nos acompanhando.

        Abraços!

  3. Apesar da nomenclatura ter tudo haver com computador, o pensamento computacional é a capacidade de resolver problemas de vida diária, fazendo uso do raciocínio lógico de forma criativa.

    1. Fundação Telefônica Vivo disse:

      Olá, Veronica
      Agradecemos seu comentário, é muito importante para nós. Continue nos acompanhando.

      Abraços!

  4. O pensamento computacional requer a capacidade de resolução de problemas de forma criativa e lógica de forma conjunta compartilhando ideias professores e alunos.

    1. Fundação Telefônica Vivo disse:

      Olá, Veronica
      Agradecemos seu comentário, é muito importante para nós. Continue nos acompanhando.

      Abraços!

  5. O que é fundamental em nossas crianças e adolescentes é, primeiramente, despertar a intencionalidade , após isso , vem o planejamento do professor. Como despertar para além do consumo das tecnologias existentes? De que maneira o professor pode instigar a curiosidade, a reflexão, o pensamento crítico , a compreensão e a resolução de problemas ? Não precisamos ser devoradores de mídias, basta compreendermos como podemos utilizá-las de maneira significativa, levando os nossos estudantes a pensarem, compreenderem, analisarem , compararem, indagarem. Todas essas habilidades favorecem a autonomia , posicionamento diante de problemas apresentados, caminhos de resolução para os mesmos.
    À medida que o processo for acontecendo, o professor , como livre interventor, vai oferecendo um leque de possibilidades e de novas aprendizagens.

    1. Fundação Telefônica Vivo disse:

      Olá, Widya
      Agradecemos seu comentário, é muito importante para nós. Continue nos acompanhando.

      Abraços!

  6. Ana Lúcia Gomes Barbosa disse:

    Que bom que o pensamento computacional pode ser trabalhado de forma crítica e lógica , até mesmo com materiais simples e concretos como blocos de madeira, mais conhecido como blocos lógicos, que dá asas para desenvolvermos com nossos alunos do fundamental a noção de sequências, e outras ideias Matemáticas,…Bom saber!!!

    1. Fundação Telefônica Vivo disse:

      Olá, Ana
      Agradecemos seu comentário, é muito importante para nós. Continue nos acompanhando.

      Abraços!

  7. Fátima Rodrigues disse:

    Muito interessante gostaria de obter mais informações sobre o assunto

    1. Fundação Telefônica Vivo disse:

      Olá, Fátima

      Agradecemos seu comentário, é muito importante para nós. Continue nos acompanhando.

      Abraços!

  8. Juliana Freitas De Oliveira disse:

    Após, subsídios expostos sobre o Pensamento Computacional, fica claro, que para desenvolvê-lo em sala de aula, não necessariamente será preciso usar a ferramenta computador. Compreendo que a ideia está relacionada a desenvolver uma nova e criativa forma de pensar em que professores e alunos, sejam protagonistas na resolução de problemas, utilizando o raciocínio crítico e lógico. A partir, de jogos manuais, como por exemplo os blocos lógicos.

    1. Fundação Telefônica Vivo disse:

      Olá, Juliana

      Agradecemos seu comentário, é muito importante para nós. Continue nos acompanhando.

      Abraços!

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