As conversas em comum entre investimento social, terceiro setor e sociedade

07 de junho de 2016

Websérie do GIFE propõe discussões sobre temas que articulam assuntos ligados ao desenvolvimento.

Facilitar a articulação entre setores diferentes é fundamental para que sejam atingidos objetivos comuns. Se o terceiro setor e o investimento social estão alinhados e por sua vez conversam com a sociedade como um todo, as transações se tornam mais claras e transparentes, com todos os envolvidos sabendo dos benefícios de um desenvolvimento social integral. Mas como alinhar estes discursos por meio de um ponto em comum, de maneira agradável e ao alcance de todos?

Há 27 anos trabalhando na articulação entre organizações que investem socialmente no Brasil, o GIFE (Grupo de Instituições, Fundações e Empresas) desenvolveu há um ano uma agenda de oito pontos estratégicos para fomentar a discussão entre os 132 associados com quem trabalha, desafiando-os a pensar seus investimentos sociais. “Se conseguirmos avançar fortemente nesses temas, fazemos com que os associados elevem a discussão do que é investimento social”, explica Mariana Moraes, coordenadora de comunicação da organização.

As oito estratégias, embora desenvolvidas como metas para as organizações, traduzem muitas questões que permeiam pensamentos atuais da sociedade: Governança e Transparência; Fortalecimento das Organizações da Sociedade Civil; Comunicação; Negócios de Impacto; Avaliação; Alinhamento do Investimento Social às Políticas Públicas; Ampliação da Doação no Investimento Social Privado e Alinhamento entre Investimento Social e Negócio. Ainda que amplamente discutidos em congressos, o que a equipe do GIFE queria é que os temas deixassem o espectro de quem por ele já está normalmente rodeado e atingissem outro público.

Nasce, então, a websérie COMUM. Filmados pela lente urbana e sensível do cineasta Leonardo Brant, as oito pílulas em vídeo abordam justamente as agendas que a GIFE trata, de maneira poética e reflexiva. “Esses temas são importantes: você avança com eles e está ajudando uma sociedade inteira. Investimento social é o desenvolvimento do bem comum e se conseguirmos nos aproximar do universo da sociedade civil em geral, usando uma temática mais urbana e bonita, isso é ótimo”, conta Mariana.

Cada um dos vídeos foi filmado sob a ótica de seu tema. “Há uma temática sutil da cidade que revela o assunto por trás de cada um”, Mariana complementa. Quando se ouve a voz de Bruno Torturra falando sobre os paradigmas da comunicação transformados, os olhos viajam pelo cabeamento urbano. Enquanto Iara Rolnik conta sobre a necessidade das organizações se pensarem transparentes, as imagens que a acompanham são as de estruturas da cidade, vistas através de vidros e janelas. Luis Guggenberger, gerente de projetos sociais da Fundação Telefônica Vivo, fala sobre negócios que já nascem para resolver problemas – depoimento envolvido por cenas de paisagens nas quais é possível sentir concretamente os impactos sociais.

Mariana fala que os vídeos são intencionalmente curtos para que ajam como fagulhas de acender discussões. “Quisemos implementar uma sementinha da provocação”, define Mariana. As conversas com os especialistas foram gravadas nos intervalos dos congressos e painéis do GIFE, aproveitando que os participantes já estavam imersos no assunto. A atemporalidade dos vídeos está em não engessar os diálogos: os temas são discutidos de modo aberto e fluido, não respondendo todas as perguntas, mas propondo a reflexão.

A comunicação entre diversos setores da sociedade é fundamental para um desenvolvimento socialmente cristalino: ainda que investir seja importante, mostrar abertamente os caminhos por onde esses investimentos passam e onde eles impactam é outra forma de investimento, da ordem da confiança e de diálogo, para que a sociedade se articule em torno de temas relevantes.



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