Conheça 5 negócios sociais internacionais e seu impacto nas áreas onde atuam

15 de agosto de 2016

Entidades foram reconhecidas pelo prêmio Schwab Foundation Social Entrepreneurs 2016. A Agenda Pública, entidade brasileira, está entre elas.

O que uma empresa que investe na produção consciente de chocolate, revertendo bens para pequenos produtores em Gana, tem em comum com uma organização que se articula com os poderes públicos para promover a participação política mais efetiva da população brasileira? Ambos são negócios sociais que primam por uma efetividade muito além do lucro: em conjunto com a comunidade onde atuam, esses empreendimentos encontraram soluções inovadoras para lidar com problemas de seu entorno – o capital que importa é o humano.

Tanto a Divine Chocolate (Reino Unido e Gana) quanto a Agenda Pública (Brasil), negócios sociais listados acima, figuram como empreendedores sociais do ano de 2016 pelo prêmio Schwab Foundation Social Entrepreneurs. O prêmio da organização sem fins lucrativos World Economic Forum mapeia iniciativas ao redor do globo que atendam a pré-requisitos de um negócio sustentável como: impacto em larga escala na localidade onde estão inseridos; foco no desenvolvimento social e ecológico e criação de alguma ferramenta de inovação. Foram 11 ganhadores espalhados entre América Latina, Estados Unidos, Europa, África e a Ásia.

Na América Latina, a premiada foi a Agenda Pública, iniciativa criada pelo cientista político Sergio Andrade. A OSCIP (Organização de Sociedade Civil de Interesse Público) trabalha com articulação entre governos locais e sociedade, visando à implementação de políticas públicas e também assessorando localidades impactadas por grandes obras. Em entrevista a Folha de S. Paulo, Andrade comentou da importância de ter ganhado o prêmio, como também da necessidade se discutir políticas públicas. “O Prêmio Empreendedor Social nos colocará em uma vitrine e isso é muito importante para o que ainda não é bem compreendido.”

Confira uma lista de outras cinco iniciativas selecionadas pelo prêmio e como elas impactam a sociedade onde estão inseridas:

The Clothing Bank (África do Sul)

A iniciativa trabalha para empoderar mães desempregadas de regiões periféricas sul-africanas, engajando-as em um programa de negócios de reciclagem de roupas não utilizadas. Elas são rigorosamente selecionadas, com prioridade as que se encontram em situação mais frágil, e então passam por um intenso treinamento no qual não só aprendem noções de negócio, como também orientação para recuperar autoconfiança e, futuramente, serem donas do próprio empreendimento. The Clothing Bank já capacitou 800 mulheres em dois anos de atuação.

GoodWeave International  (Índia, Nepal e Afeganistão)

O fim do trabalho infantil depende da conscientização de todas as peças e setores envolvidos na cadeia de consumo, desde o produtor de matéria-prima até o comprador final. A iniciativa GoodWeave atua na criação de um mercado global de tapetes que priorize a compra de tecidos comprovadamente isentos de mão de obra infantil. Para tanto, eles trabalham com mercado consolidados dos Estados Unidos e Europa, além de inspecionar fábricas da Índia, Afeganistão e Nepal. Estima-se que, desde o início de sua atuação, diminuiu-se em 80% a participação de crianças na cadeia produtiva asiática de tapetes.

Silulo (África do Sul)

A empresa sul-africana que começou vendendo computadores reciclados é hoje um polo de oportunidades para jovens desempregados da região rural e periférica da Cidade do Cabo, na África do Sul. Mais de 33 franquias oferecem treinamento para jovens, inserindo-os no mercado de trabalho tecnológico e orientando-os na construção de seus currículos. O lema da empresa é que Silulo seja apenas um ponto de parada para que, posteriormente, os jovens possam abrir seus próprios negócios.

Worldreader (Estados Unidos)

A alfabetização é uma ação fundamental em qualquer transformação social, e se o processo está aliado com a tecnologia, ele pode atingir um número maior de pessoas. A plataforma norte-americana Worldreader usa tecnologia de baixo custo para levar tablets a mais de 60 países, tornando o hábito de leitura mais acessível. São mais de 31 mil títulos em 44 linguagens, incluindo dialetos falados por pequenas comunidades, o que permite a manutenção de suas tradições. Desde 2010, mais de 3 milhões de pessoas usufruíram da biblioteca digital.

Kennemer Food International (Filipinas)

Pequenas propriedades agrícolas são responsáveis por grande parte da produção de alimentos, mas muitas vezes não recebem a parte justa de lucro por seu trabalho. Foi para apoiar fazendeiros das Filipinas que a ONG Kennemer Food International estabeleceu uma rede de contratos com propriedades familiares, oferecendo material de plantio de qualidade e também treinamento em tecnologia, para que possam potencializar sua produção sem perder as características de cultivo tradicional. Desde sua criação, fazendeiros de cacau e coco tiveram um aumento de 500% em seu lucro.



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