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Apostamos na força transformadora da educação, conectando pessoas ao conhecimento.

Com o apoio da família para mudar de carreira, Erica prova que sonhos nunca envelhecem e ainda ajuda outras mulheres a expandirem seus horizontes profissionais

#42SãoPaulo

Quem faz a 42 São Paulo?
Nome: Erica Akira Suguimoto Daikawa
Ano de Nascimento: 1977
Cidade e Estado: Valinhos (SP)
Profissão: Estagiária em TI
Turma 42 São Paulo: 1ª turma – Janeiro/2020

Nunca é tarde para recomeçar. Foi mais ou menos assim que se imortalizou um famoso dito popular que traduz com precisão a trajetória de Erica Suguimoto. Mãe de “três garotas”, como ela mesma conta, acabou adiando alguns sonhos por falta de tempo e organização para estudar. Ainda assim, jamais largou os livros e passou esse valor da educação às filhas.

Instrutora de Yoga até 2017, Erica fechou seu espaço após passar por uma crise financeira, resolveu retomar os estudos pela carreira de Engenharia da Computação e, apósler uma reportagem, mergulhou de cabeça na Piscina da 42 São Paulo. Incentivada pela família, deixou marido e filhas em Valinhos (SP) e seguiu para a capital paulista, tornando-se uma orgulhosa cadete. “Sou muito grata por eles entenderem que não é tarde para eu retomar meus sonhos. Sem o apoio deles eu não daria conta!”, conta Erica.

Hoje cursando o 3º ano da faculdade, ela acredita na união feminina e participa de grupos que incentivam a entrada e permanência de mulheres no mundo tecnologia tanto na 42 São Paulo, quanto na sua vida universitária.

Conheça mais sobre a nossa cadete!

Conte um pouco sobre sua história.

Sou casada e mãe de três garotas, sendo que a minha filha mais velha já é formada em Estatística e hoje trabalha com Ciência de Dados. A maternidade me fez estudar a prestação: depois do segundo grau, tentei cursar algumas graduações sem sucesso – seja por falta de tempo ou de organização. Fui operária no Japão, retornei com o tsunami, em 2011. Aqui estudei Letras e também fui professora e instrutora de Yoga. A crise que abateu o Brasil, em 2015, uma hora me alcançou e tive de fechar meu estúdio. Eu gostava de computadores desde jovem e cheguei a estudar e abandonar computação na faculdade. Pensei: por que não? Em 2018, com as filhas crescidas, resolvi voltar, agora para Engenharia de Computação, e estou cursando o 3º ano.

Por que escolheu participar da 42 SP?

Um dia eu estava me distraindo na internet e vi uma postagem sobre uma nova escola de programação sem professores. Fiquei curiosa e fui ler sobre a École 42. Fiquei apaixonada e decidi que faria o curso, mesmo sem saber que linguagem eu aprenderia ou em que área da programação seria. Foi algo bem maluco!

Quais foram suas impressões durante a fase da Piscina?

Ficar 26 dias imersa em estudos foi uma experiência única. Eu deixei a faculdade e larguei meu emprego para poder me dedicar 100% à Piscina. São centenas de pessoas juntas, aprendendo, descobrindo, quebrando a cabeça, fazendo amizades. Aprendi muita coisa bacana, e não somente a programar.

A diversidade e colaboração entre os cadetes fazem parte dos valores da 42 SP. Como você percebe isso no dia a dia? Há alguma experiência que gostaria de relatar?

A Piscina era bem diversa. Somos 30% de mulheres e ainda há muito trabalho pela frente para aumentar a inclusão de negros, pessoas de baixa renda e LGBTQIA+, afinal, é um curso totalmente gratuito para o aluno. A maior experiência foi viver realmente essa diversidade, essa inclusão e fazer amigos incríveis! Ainda ver que a maioria não era da área de programação e, em dias, estavadominando o computador é ter a certeza de que não precisa ter vocação para programar, basta querer e ter uma oportunidade como a dada pela 42! Isso foi muito bacana também.

O que diferencia esse lugar dos outros que já frequentou?

A principal diferença é não termos uma figura no campus que seja o detentor do saber. Todos somos alunos e o aprendizado ocorre de forma horizontal. Hoje eu sei e ajudo meu colega, amanhã sou eu sendo ajudada, esse é um ciclo sem fim na 42.

Qual seu maior aprendizado até o momento?

Que aprender junto é mais legal. Na 42 tentamos aplicar o máximo essa irmandade entre as garotas, e também tenho aplicado isso em um grupo da minha faculdade.Temos o grupo 42 Minas, exclusivo para mulheres cadetes, com encontros quinzenais. Antes da 42, eu já fazia parte de grupos de TI exclusivamente para mulheres. Inclusive, foi nesses grupos que me fortaleci, que entendi que tudo bem não saber de tudo e que sempre poderia contar com a ajuda de todas. Faço parte também do Grupo Minas de TI e já consigo ajudar as mais novas. Funciona de forma orgânica e falamos de códigos, linguagens, mas também de família, receitas culinárias, eletrônicos, jogos, etc.
A diferença dos grupos femininos para os mistos é a quantidade em si de mulheres. Por exemplo, em um universo com 100 cadetes, nós somos 30% e pode parecer muito, mas nem sempre estamos no campus ou on-line ao mesmo tempo. Já nos grupos de mulheres ficamos grandes! Somente no WhatsApp cada grupo conta com mais de 200 participantes, e ainda tem a presença em Facebook e Telegram. Então, ter um espaço seguro de trocas é algo bem confortante.

Como sua história de vida e características colaboraram com a sua trajetória na 42?

Eu acredito que o fato de minhas filhas hoje serem mais crescidas e entenderem o valor dos estudos – que sempre tentei passar para elas – me beneficia. Elas foram as primeiras a me incentivar a tentar a vaga na Piscina! O apoio do meu marido, que ficou com elas no interior de São Paulo para que eu mergulhasse na formação, foi fundamental. Sou muito grata por entenderem que não é tarde para eu retomar meus sonhos. Sem o apoio deles, eu não daria conta!

Você poderia dar algumas sugestões de filmes/séries, livros e podcasts que consome no dia a dia?

Não tenho acompanhado podcasts por pura falta de tempo. O que acesso são portais de notícias, cursos online e livros sobre programação ou coisas mais acadêmicas. Mas gosto de assistir realities e séries: terminei The Circle e estou revendo Umbrella Academy. Me ajudam a desligar o cérebro.

Além da 42 SP e da sua atuação profissional, você tem algum projeto pessoal ou algo que costume fazer nas horas vagas?

Atualmente, eu tenho me dedicado ao Mulheres Univesp na minha faculdade, um grupo para quem quer perder o medo de programar. Quando consegui a vaga na 42 São Paulo, o presidente da faculdade conversou comigo sobre a necessidade de apoiarmulheres tanto dentro como fora da instituição. Meses depois fui chamada para essa iniciativa. A ideia é levar um pouco do que aprendi na 42. É um grupo aberto para todas as alunas, sejam do eixo de computação ou não.
A nossa premissa é formar um ambiente de saber horizontal, onde quem entendeu, explica a quem não entendeu. Pegamos artigos e cursinhos gratuitos disponíveis na internet e a proposta é que todas sigam a aula da semana. Está dando certo!

Que dicas daria para quem quer se inscrever na 42 SP?

A primeira dica é: descanse para não chegar na Piscina já afogando. Não tente se preparar com a linguagem do curso e sim aprendendo coisas básicas como mexer no terminal, seus comandos, versionamento de código (git e github). É importante se planejar para trancar a faculdade ou pedir férias no emprego, porque você não vai querer ir embora, vai querer ficar 24 horas dedicado.

“Não precisa ter vocação para programar, basta uma oportunidade”
“Não precisa ter vocação para programar, basta uma oportunidade”