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Líder norte-americano e defensor dos direitos civis, Martin Luther King deixou um sonho de igualdade racial e de oportunidades que resiste até os dias atuais. Conheça exemplos de sua trajetória para inspirar crianças, jovens e adultos de todas as idades.

#Educação

“A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar”. Embora esta não seja a frase mais famosa do pastor e ativista político Martin Luther King Jr (1929-1968), expressa a dimensão de suas ações em defesa dos direitos civis e da igualdade racial nos Estados Unidos segregados da década de 1960. Ações não-violentas, mas que mobilizaram milhares de norte-americanos, negros e brancos, a lutarem por um mundo mais justo.

Essa mesma articulação fez com que Martin entrasse para a História como a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1964, com então 35 anos. Conhecido pela oratória impecável, discursos potentes e pela liderança do movimento que impulsionou conquistas importantes para proibir práticas sistêmicas de segregação racial no seu país, o ativista tornou-se referência para uma causa ainda em curso nos dias atuais.

“Cinquenta e três anos após a sua morte, as palavras de Martin Luther King continuam vivas nos movimentos negros ao redor do mundo. A reivindicação pela justiça racial, direito à educação e fim da violência policial contra a população negra — que no Brasil vitima um jovem a cada 23 minutos —  são pautas tão atuais quanto em sua época”, afirma a educadora e escritora Luana Tolentino.

Autora do livro Outra educação é possível: feminismo, antirracismo e inclusão em sala de aula, um resultado da experiência de 11 anos como professora da rede pública de Belo Horizonte (MG),  Luana defende a relação direta entre o legado de Martin e a educação. “Ele pensava numa sociedade para todos, a começar pela igualdade de direitos. A escola tem um papel muito importante nessa construção”, afirma.

 

Um legado para a juventude

Símbolo de resistência e de transformação, Martin Luther King deixou um legado para a juventude do século XXI. Quais dessas lições podem ser trazidas para a sala de aula? Com ajuda da historiadora e escritora Luana Tolentino, trouxemos destaques na trajetória do líder pelos direitos civis que proporcionam grandes aprendizados.

 

   1. Palavras tem poder

Martin Luther King é conhecido por ser um grande orador. As históricas marchas organizadas por ele totalizaram cerca de 9,3 milhões de quilómetros percorridos pelos Estados Unidos. Já as palavras, provocaram os cidadãos a questionarem as consequências do  racismo estrutural cerca de 2.500 vezes ao longo dos 13 anos em que o ativista exerceu a cidadania na cobrança por direitos fundamentais.

Incentivando a cultura da paz e as soluções encontradas coletivamente, o movimento criado por ele mobilizou não apenas a reflexão sobre a igualdade racial, mas também importantes conquistas legais como o Ato de Direitos Civis de 1964 e o Ato de Direitos do Voto de 1965, marcos contra a discriminação eleitoral e práticas segregacionistas.

   2. Direito de sonhar

Foi durante a Marcha sobre Washington, em 1963, que King fez seu discurso mais famoso, intitulado “I Have a Dream!” (Eu tenho um sonho!, em tradução para o português). Nele, o ativista discorreu sobre as lacunas entre os valores libertários da Constituição norte-americana e a realidade da população negra. Neste momento marcou seu sonho na História: Viver em um mundo onde os direitos das pessoas não são definidos pela cor da pele.

“Como educadora sempre trabalhei muito essa questão do direito de sonhar. Muitas vezes, diante de um contexto de violência, sobra pouco espaço para pensar numa sociedade diferente. Mas o discurso de King nos lembra que não existe luta sem um sonho. Por isso é tão importante formar crianças e jovens para acreditar nesse propósito, encorajando a participação deles como agentes da mudança que querem ver no mundo”, acrescenta Luana.

   3. Equidade em prol da comunidade

A justiça e a equidade são dois grandes valores trazidos nas palavras e nas ações de Martin Luther King. O objetivo principal de seu movimento não era apenas o fim da segregação, mas a garantia de um sistema que enxergasse os sujeitos como membros de uma mesma comunidade. Sendo assim, a democracia cumpre o seu papel de construção coletiva em meio às diferenças, tornando-se mais sustentável.

“É fundamental que crianças, jovens e adultos conheçam a trajetória e as defesas dele para construirmos uma outra perspectiva a respeito dos sujeitos negros. Por mais que o discurso de King seja voltado para a igualdade racial, ele cria um movimento global, convocando os demais grupos da sociedade a lutarem por uma democracia que não pode existir sem equidade”, complementa Luana Tolentino.

   4. Não-violência, não-conformismo

A trajetória de King como pastor da igreja batista inspirou uma abordagem não-violenta, partindo das regras do próprio sistema para corrigir suas imperfeições. Por defender os valores da democracia, o ativista se preocupava muito com a forma de reivindicar seus direitos. Mas isso não significou conformismo,  sobretudo em relação às práticas discriminatórias e segregacionistas.

Para alcançar um equilíbrio entre a não-violência e o não-conformismo, teve de conhecer a fundo as leis previstas na Constituição norte-americana da época, reforçando a importância da educação para a cidadania, que garante o desenvolvimento da consciência e da participação social como mecanismos de mudança.

   5. Autoconhecimento e pensamento crítico 

“Martin Luther King falava muito sobre a transformação da nossa mente. É impossível promover uma educação antirracista se não houver um pensamento crítico por trás da construção do conhecimento, ainda muito eurocentrado. É fundamental olhar para dentro e refletir sobre quanto do nosso modo de agir, de falar e de pensar vem de uma sociedade pautada em privilégios e negação de direitos”, reforça Luana Tolentino.

A educadora chama atenção para a importância de cumprir a  Lei 10.639/03 de forma significativa nas escolas, permitindo que as crianças e jovens tenham contato com trajetórias de personalidades como King. “Essa prática traz benefícios para todos os estudantes, inclusive para as crianças brancas, que passam a entender a importância dos sujeitos negros para a construção de uma sociedade para todos”.

Para conhecer melhor Martin Luther King:

Martin – Martin Luther King

A Coleção Black Power, lançada pela Editora Mostarda, se dedica a apresentar as biografias das personalidades negras que impactaram a História. Entre os livros lançados, está Martin, a obra que  remonta a trajetória do líder norte-americano pelos direitos civis. Voltada para o público infantojuvenil, a linguagem e as ilustrações são adaptadas para inspirar as próximas gerações.

Selma: Uma luta pela igualdade (2015)

O filme dirigido pela diretora e roteirista afro-americana Ava Duvernay, acompanha a marcha histórica mobilizada por Martin Luther King Jr, no ano de 1965. O protesto partiu da cidade de Selma, interior do Alabama,  e foi até a capital Montgomery. O objetivo do era reivindicar o direito ao voto para a comunidade negra dos Estados Unidos. Além de trazer elementos da abordagem de King, o longa também se dedica a mostrar aspectos de sua vida no ativismo político.

Eu não sou seu negro (2017)

Dirigido por Raoul Peck, o documentário remonta as narrativas da negritude dos Estados Unidos a partir do manuscrito “Remember This House”, do escritor James Baldwin. O livro inacabado se propôs a relatar as trajetórias de líderes e ativistas negros dos anos 70, como Martin Luther King e Malcom X. Embora a obra não foque na biografia de King, reforça o impacto das lutas pelos direitos civis nos movimentos negros atuais.

O legado de Martin Luther King para a juventude
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