Sete temas importantes para a educação nos próximos anos

16 de maio de 2019

O movimento Educação Já elencou as prioridades da área para 2019 a 2022, repleta de desafios para o ensino e também para a aprendizagem.


Governança, financiamento e formação de professores são apenas alguns dos grandes desafios da educação no Brasil. Para mostrar quais são as prioridades e as soluções para a área, o movimento Educação Já, uma iniciativa suprapartidária, traz recomendações, diagnósticos e evidências voltadas à melhoria no ensino e aprendizagem.

O conjunto de medidas busca combater problemas que, há muito tempo, atingem a educação: a cada 100 crianças, apenas metade sabem ler aos nove anos. Ao final do Ensino Médio, só 7,3% dos estudantes sabem matemática de forma adequada e menos de 27% sabem português de maneira satisfatória.  E ainda, 40,8% dos jovens não concluem o Ensino Médio até os 19 anos. Os dados mostram que o cenário da educação brasileira precisa mudar.

A iniciativa elencou prioridades de atuação na área para a gestão 2019 – 2022. Medidas na educação básica e de apoio às redes de ensino nas diferentes etapas da educação norteiam a proposta, que conta com algumas agendas essenciais. Conheça os principais aspectos dos sete temas.

 

Especial Educação Já

Ao longo das próximas semanas você saberá mais detalhes sobre sete temas prioritários para a educação no Brasil. Fique ligado!

 

Reestruturação das regras de governança e melhoria da gestão das redes

A partir da regulamentação do Sistema Nacional de Educação, o objetivo é garantir maior articulação entre Municípios, Estados e Governo Federal para melhorar a gestão das redes de ensino.

Entre as medidas sugeridas está estabelecer, de forma clara, as competências e atribuições dos entes federativos; estimular a colaboração entre eles; trazer mudanças na estrutura do Ministério da Educação (MEC) e em sua gestão orçamentária e administrativa; além da criação de uma política que apoie a melhoria de gestão nas secretarias estaduais e municipais.

 

Mecanismos de Financiamento da Educação Básica

O movimento demonstra que é preciso alterar os mecanismos de financiamento da educação básica para garantir que todas as redes de ensino tenham condições básicas aos estudantes.

As ações sugeridas englobam o fortalecimento do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), tornando-o permanente e mais bem distribuído; a revisão da distribuição de recursos federais relacionados à alimentação escolar e transporte; aumento da organização e transparência de gastos educacionais, aumento do investimento por aluno na educação básica e incentivo da distribuição de tributos para melhorar a política de aprendizagem.

 

Efetivação da Base Nacional Comum Curricular em todas as redes de ensino

Garantir que a implementação da BNCC em todo o país seja prioridade no governo é um dos objetivos do Educação Já. Apoiar as redes na construção e reformulação de seus currículos e fortalecer recursos pedagógicos, além de adaptar políticas como o Programa Nacional do Livro Didático à BNCC, também estão entre as prioridades.

As ações relacionadas ao tema englobam Educação Infantil, Ensino Fundamental e também o fornecimento de materiais de apoio de qualidade a alunos e professores. A reforma para o Ensino Médio ainda está em discussão.

 

Profissionalização da carreira e formação docente

Valorizar e profissionalizar docentes, instituindo uma política nacional que atraia, forme e melhore a carreira de professores é um dos focos da iniciativa. Uma das medidas sugeridas é alterar itens da regulação dos cursos de Pedagogia e Letras para melhorar a formação inicial, além de reformular a estrutura curricular da formação por meio da Base Comum Nacional da Formação.

Outros itens estão relacionados a estabelecer um Marco Referencial Docente com a definição dos conhecimentos profissionais esperados do professor para direcionar as políticas docentes no país, criar mecanismos de avaliação de novos professores e orientar as redes de ensino para fortalecer a carreira docente.

 

Alfabetização em regime de colaboração

Garantir a alfabetização de crianças até o segundo ano do Ensino Fundamental é essencial para redesenhar a política nacional de alfabetização de forma que promova a colaboração entre Estados e Município.

Fortalecer ações pedagógicas específicas para a alfabetização, assegurar a participação de todos os entes federativos na área e introduzir incentivos (financeiros ou não) aos agentes que avançarem na alfabetização estão entre as medidas sugeridas.

 

Nova proposta de reforma do Ensino Médio

Continuar as discussões sobre a reorganização do Ensino Médio, com destaque para a flexibilização curricular, articulação da formação técnica e apoio aos Estados na implementação das alterações são atividades destacadas para a reforma.

Tais medidas passam pela discussão da adoção de uma Base Curricular Comum para esta etapa, em debate no Governo, e em maneiras de tornar o Ensino Médio atrativo para os jovens, já que 10% dos adolescentes de 15 a 17 anos, quase 1 milhão deles, estão fora da escola.

Em um cenário em que 40% em brasileiros entre 25 e 40 anos não possuem Ensino Médio completo, obtendo menos da metade da renda média de quem terminou essa etapa, é urgente repensar caminhos para garantir um futuro melhor aos jovens de hoje.

O movimento também pretende ampliar a comunicação e orientação dos gestores educacionais e sociedade sobre um novo modelo de ensino, além de estabelecer programas de apoio técnico e financeiros aos Estados.

 

Primeira Infância: uma agenda intersetorial

O movimento destaca que investir na primeira infância é melhor do que reverter ou minimizar os problemas que a falta desse investimento podem causar. Afinal, há efeitos de longo prazo nas habilidades socioemocionais, na saúde e também nas desigualdades entre crianças de condições socioeconômicas diferentes.

Por tais razões, o objetivo é instituir uma política nacional intersetorial para a primeira infância, que articule ações para áreas como educação, saúde e assistência social, além de programas que entendam e melhorem as diversas dimensões que influenciam o desenvolvimento das crianças.

Dentre outros índices, a iniciativa também chama a atenção para o fato de 42% das crianças de até 14 anos viverem abaixo da linha de pobreza ou 50% das creches e 30% das pré-escolas não terem qualidade adequada.

Infográfico resume os sete pontos da matéria especial sobre educação: 1 – Reestruturação das regras de governança; 2 – Mecanismos de Financiamento da Educação Básica; 3 – Efetivação da Base Nacional Comum Curricular; 4 – Profissionalização da carreira e formação docente; 5 – Alfabetização em regime de colaboração; 6 – Nova proposta de reforma do Ensino Médio; 7 – Política Nacional Intersetorial para a Primeira Infância



2 comentários sobre “Sete temas importantes para a educação nos próximos anos”

  1. Dimitri Barreto disse:

    Profissionalização da carreira e formação docente

    A valorização da educação no Brasil, sem dúvida é um tema de longos debates, visto que não se pode falar em termos de qualidade da educação somente levando em conta os princípios teóricos da pesquisa em educação de forma qualitativa, pois este assunto esgota a questão sociológica no que diz respeito aos fundamentos de uma ciência teórica, no entanto, compreende-se a pesquisa quantitativa que se faz necessária ao se fazer as analises de dados, para que dessa forma possa se compreender e fazer melhores analises no que diz respeito a valorização da educação como um todo e em toda sua complexidade, desde das questões da valorização e financiamento a formação dos docentes dentro das instituições de ensino superior e mesmo fora delas, pois a formação é um processo continuo tanto para os professores como também na vida, fazendo parte deste modo no percurso de uma vida inteira.
    Não somente os cursos de pedagogia e letras, devem estar sendo reformulados mas também todos os demais cursos que englobam as diferentes áreas dos saberes, tanto as ciências ditas humanas, bem como as ciências ditas naturais, devendo assim, a todas as áreas de formação de professores serem contempladas nesse continuo heterogéneo da historia.
    Obviamente não basta tão somente se falar em disponibilidade financeira e politica, bem como aprofundar o ethos de uma nação e também a própria compreensão das culturas regionais e suas relações com a história, princípios como identidade e diferença, democracia e autoritarismo, liberdade e escravização, colonização e colonieidade, são temas que nos tocam profundamente quando o foco é a educação.

    1. Fundação Telefônica Vivo disse:

      Olá, Dimitri

      Agradecemos seu comentário, é muito importante para nós. Continue nos acompanhando.
      Abraços!

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