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Além de entreter, filmes podem ser ótimos aliados para educadores trabalharem temas importantes em sala de aula de um jeito dinâmico e real

Imagem mostra cena do filme “Que horas ela Volta?”. Um jovem está deitado no quarto, no colo de uma senhora, que acaricia seus cabelos.

O cinema é uma das maneiras mais dinâmicas de se contar histórias. Por isso, pode ser uma ótima ferramenta para professores que querem deixar o seu ensino mais lúdico e próximo da realidade dos estudantes. “A sétima arte vem ao encontro das disciplinas regulares do Ensino Fundamental e Médio e pode ser uma atividade complementar, não apenas extracurricular”. Esta é a principal contribuição do cinema na opinião de Edilene Rodriguez, mestranda em teatro pela Universidade Estadual de Santa Catarina e coordenadora da Escola de Teatro Faces em Primavera do Leste (MT).

Edilene conta que já teve experiências nas quais conseguiu potencializar o debate sobre determinados assuntos por meio de produções audiovisuais. “Conseguimos desenvolver várias camadas de discussões com os alunos usando filmes e outros recursos. Os estudantes passam a ser mais protagonistas de seu aprendizado”.

Em sua visão, o audiovisual permite ao aluno trazer ensinamentos de um tema para o cotidiano, fazendo também com que o aluno agregue mais repertório para sua vida. Com a ajuda da especialista, fizemos uma lista de 10 filmes brasileiros que potencializam o ensino e a aprendizagem. Confira!

Cidade de Deus
A favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, é retratada no filme desde os anos 60 até os anos 80, por meio de uma trama que aborda violência policial, crime e desigualdade social, mas que mostra também a busca pela realização de sonhos.  Segundo a especialista, o lançamento do filme “foi quando, de fato, o público não-negro do país viu a situação da favela de forma geral e como ela funciona, como é a vida dessas pessoas

em maioria, negras

”. Edilene afirma que, em sala de aula, é possível falar sobre falta de oportunidades, criminalidade, vulnerabilidade social, entre outros temas.

Que Horas Ela Volta?
A história de uma babá que vive entre o trabalho doméstico e a possibilidade de a filha conquistar uma vida melhor é uma chance para os educadores falarem sobre “escravidão moderna” e as desigualdades do país. “O filme é bacana porque houve uma onda interessante no país de discutir o assunto. Abordaram-se relações de trabalho e a desvalorização desse tipo de emprego”, completa.

Nise: O Coração da Loucura
A história real da doutora Nise de Oliveira é contada na produção Nise – O Coração da Loucura, que remonta ao período no qual a profissional se recusa a aplicar tratamentos como eletrochoque e lobotomia em pacientes de um hospital psiquiátrico do Rio de Janeiro. O filme mostra como é possível mudar uma realidade hostil por meio da arte e do amor. “Ele fala da importância da arte no tratamento de pessoas com transtornos mentais e como ela pode ser uma eficiente terapia”, diz Edilene.

A Festa da Menina Morta
A história fictícia fala sobre a celebração religiosa que acontece há 20 anos em uma cidade ribeirinha do Amazonas, a partir da morte de uma menina. A narrativa fala sobre religiosidade e como um grupo social pode direcionar sua vida em torno de uma crença, de acordo com a especialista. “A produção fala sobre como nós podemos estar ligados a uma religião e paramos a nossa vida em função de datas religiosas”.

Preto no Branco
O curta-metragem Preto no Branco aborda racismo e preconceito. “É um filme sobre a desigualdade social e o preconceito em relação a um menino negro que é acusado injustamente de ter roubado a bolsa de uma mulher branca, apenas porque ele estava correndo bem no momento em que ela foi roubada. O curta discute a questão racial, preconceito e a meritocracia”, diz a entrevistada.

Zuzu Angel
O filme Zuzu Angel traz a história real da estilista e empresária brasileira que, durante a ditadura civil-militar, parte em busca do filho Stuart Angel, que foi preso, torturado e morto pelo regime. “É um filme para se fazer uma ligação entre passado e futuro, falar de política, sem contar as atuações incríveis. É importante para mostrar aos estudantes que a ditadura aconteceu e foi horrível, além de dar a chance para que os estudantes pesquisem mais a respeito do período”, diz a consultora.

Saneamento básico
A comédia mostra como um problema relacionado ao saneamento básico de uma pequena cidade brasileira traz à tona as burocracias relacionadas às autoridades, mas também sobre a importância de se investir em políticas públicas, afirma a especialista. “A produção permite falar sobre meio ambiente, cuidados básicos para a população em relação à água tratada, rede de esgoto e tudo mais vinculado à saúde pública, que é um assunto pertinente”.

O quatrilho
Edilene diz que o filme é importante para falar sobre alguns processos de imigração do século XX, já que a produção conta a história de imigrantes italianos que vivem no Rio Grande do Sul em 1910 por meio de uma comédia dramática cheia de romance e aventura.

Dúdú e o Lápis Cor da Pele
A especialista cita o curta-metragem como uma forma interessante de discutir a questão racial a partir da cor de um lápis. “Uma criança discute qual lápis de cor seria a cor da pele. O garoto é negro e não se sente representado quando pergunta à professora de que cor deve pintar o rosto do boneco de um desenho e a mesma diz para pintar com o lápis cor de pele, que na verdade é rosa-claro. Além disso, mostra como um trabalho coletivo de generosidade e disseminação de informação pode ser estimulado pelos próprios professores em sala de aula”.

Central do Brasil
O popular filme brasileiro conta a história de Dora, que trabalha escrevendo cartas para analfabetos na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Um menino que perdeu a mãe e está em busca do pai muda a história da ex-professora. “O filme fala de alfabetização, mas também de como a ex-professora é gentil, mostrando que ser gentil é importante na vida. É possível ver por meio da produção que proporcionar ao outro um conhecimento que você tem é uma forma de mudar o mundo”, finaliza.

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