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Evento em SP debateu competências que o Brasil e outros países precisam atingir para avançar na educação no século XXI.

Evento em SP debateu competências que o Brasil e outros países precisam atingir para avançar na educação no século XXI.

O que une uma criança que aprende a escrever e ler no Haiti, uma escola de tempo integral em Pernambuco ou uma ocupação feita por estudantes em uma ETEC de São Paulo? Quais são os fios que interligam os processos educativos em distintas partes do país e o resto do mundo, e quão fortes ou frágeis são eles ante os processos políticos complexos e surgimento ou fim de políticas públicas? Pensar educação é concomitante a pensar cidadania, porque cada integrante é parte de uma rede que conecta processos educativos em todo o mundo.

Foi para dividir experiências sobre uma educação de impactos não somente local, mas mundial, que um grupo de especialistas se reuniu no Seminário Internacional Educação para Cidadania Global em São Paulo, no dia 12 de maio. Realizado pelo El País, a Fundação Santilliana e a UNESCO, o evento tratou sobre desafios brasileiros em compasso aos de outros países, em uma troca de experiências entre gestores e atores envolvidos na educação no século XXI. Ante as recentes mudanças políticas no Brasil, a maioria dos educadores mostrou preocupação com o rumo de políticas públicas fundamentais para alcançar as metas educacionais desejadas.

Como a educação se configura na América Latina e no Caribe? Como enfrentar desafios e progressos em relação às particularidades culturais e desigualdades sociais encontradas na região? Esta foi a temática de Cecilia Barbieri, especialista sênior do Escritório Regional de Educação para a América Latina e o Caribe (OREALC/UNESCO Santiago). Em busca de soluções globais, ela também falou sobre o que são, para a UNESCO, características da educação no século XXI: relevância, pertinência, efetividade (o uso eficiente de recursos educacionais) e equidade.

A fala de Cesar Callegari, representante do Conselho Nacional de Educação, teve como tema central a Base Curricular Nacional Comum (BNCC) e sua contribuição para transformar a educação. Sua preocupação tem sido a fragmentação e a desarticulação, e ele aponta a BNCC como unificadora e modificadora de processos que começam invertidos – os exames avaliativos devem ser consequência de um currículo escolar forte, não a essência dele. Com falas intensas, afirmou que o direito à aprendizagem é inquestionável. E, com as atuais mudanças políticas ocorridas no país, é de caráter fundamental garantir a preservação dos investimentos em educação.

Para falar sobre as particularidades enfrentadas no Haiti, foram convidados Dieufort Deslorges, especialista em Educação da Comissão Nacional para e UNESCO e Jun Morohashi, Oficial de Programas da UNESCO no país. O Haiti é uma nação em que metade da população com 15 ou mais anos é analfabeta, com a maioria das escolas sendo financiadas privadamente. Os palestrantes trouxeram alguns dos esforços que o Ministério da Educação local tem feito para solucionar o problema, entre eles a reforma curricular e o investimento em desenvolvimento profissional.

O Ensino Médio é a fase com maior taxa de evasão escolar no Brasil – calcula-se que cerca de 1,6 milhões de jovens entre 15 e 17 anos não estejam matriculados. Hélio Queiroz Daher, representante do Conselho Nacional de Secretárias de Educação (CONSED), provocou os espectadores: como tornar o currículo do Ensino Médio mais atraente e como flexibilizá-lo para que combine com o estilo de vida dos jovens. Ele apontou entraves como número excessivo de disciplinas e uma formação de professores que não condiz com a realidade escolar, muitas vezes ainda avessos à tecnologia, fundamental nos processos de aprendizagem dos adolescentes. “Nós garantimos o acesso, mas não garantimos a permanência”, ele pontua. Para o educador, não basta somente mudar o Ensino Médio: incidir nos últimos anos de Ensino Fundamental é necessário.

O painel que encerrou o evento contou com a presença de David Saad, diretor- presidente do Instituto Natura, Priscila Cruz, diretora-executiva de Todos Pela Educação, Alice Ribeiro, secretária-executiva do Movimento pela Base Nacional Curricular Comum e Maria Rehder, coordenadora de projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Eles discutiram perspectivas para uma mudança de quadro, como a adoção da educação integral como sistema curricular.

Maria também chamou a atenção para os movimentos de ocupação que acontecem em diversas escolas do país, dizendo da importância de entender as demandas desses jovens e como elas podem modificar políticas públicas de uma escola que já não se sustenta como modelo. “A universalização do sistema educacional que queremos só será viável no longo prazo, portanto é necessário começar agora”, ela complementou.

A educação de um país é a educação do mundo, defendem especialistas em seminário
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