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Representantes de redes de ensino estiveram presentes no lançamento de relatório com considerações sobre a aprendizagem híbrida no Brasil

#Educação#EducaçãoBásica#EnsinoFundamental

Roni Miranda, Maria Elizabete de Araújo e Fred Amancio participam da mesa “Experiências nacionais: reflexão sobre as práticas”, mediado por Americo Mattar

O lançamento do relatório “Aprendizagem Híbrida? Orientações para regulamentação e adoção com qualidade, equidade e inclusão”, que ocorreu no dia 13 de junho, no auditório ECO Berrini, em São Paulo, contou com a participação de diversos atores do universo da educação no Brasil.

Foram realizadas três mesas de debate com especialistas de educação e representantes de conselhos e redes de ensino, com o objetivo de discutir sobre as informações do relatório e apresentar experiências de aprendizagem híbrida no Brasil.

Na primeira mesa, os autores do relatório apresentaram e comentaram os pontos mais importantes do estudo. Mediada por Lia Glaz, gerente de Educação da Fundação Telefônica Vivo, a conversa contou com a participação presencial de Antonio Bresolin, diretor executivo do D³e, e de Mariana Lederman Edelstein, consultora educacional do Transformative Learning Technologies Lab (TLTL). O diretor do laboratório, Paulo Blikstein, e os pesquisadores  Livia Macedo, Renato Russo e Fabio Campos do TLTL participaram virtualmente de uma rodada de perguntas.

Durante a mesa, foi discutida a falta de evidências robustas que possam afirmar que a aprendizagem híbrida traz resultados superiores e melhores que a presencial. É com cautela que os pesquisadores fazem recomendações para balizar a formulação de políticas públicas sobre aprendizagem híbrida no Brasil, deixando claro que este conceito ainda está em construção ao redor do mundo.

De acordo com Blikstein, o estudo busca reconhecer os esforços dos professores durante a pandemia e sustentar uma aprendizagem mais mão na massa e menos instrucionista, com formação contínua de professores e proteção de dados dos estudantes. Para tanto, aponta a necessidade de mapear, pesquisar e conduzir programas pilotos antes de adotar uma política para todo Brasil.

O segundo momento foi dedicado às apresentações de experiências nacionais que buscaram soluções nesta modalidade durante a situação emergencial causada pela pandemia de Covid-19. Participaram desta mesa a assessora especial da Secretaria de Educação do Ceará (Seduc-CE), Maria Elizabete de Araújo; o diretor de educação da Secretaria da Educação e do Esporte do Paraná (Seed-PR), Roni Miranda; e o Secretário de Educação do Recife (PE), Fred Amancio. Chamado de “Experiências nacionais: reflexão sobre as práticas”, o debate teve a moderação de Americo Mattar, diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo.

As redes estaduais do Ceará e do Paraná, além da municipal do Recife, trouxeram suas experiências na introdução da aprendizagem híbrida, impulsionadas principalmente por conta do fechamento das escolas diante da pandemia de Covid-19.

 

Paraná: soluções para a fase emergencial da pandemia

Lançado em abril de 2020 para atender estudantes da rede estadual durante a pandemia, o Aula Paraná se consolidou como um sistema multiplataforma de educação a distância. O aplicativo reúne aulas produzidas pelos profissionais da secretaria e gravadas pelos professores da rede em estúdio.

Além do aplicativo, as aulas são disponibilizadas no YouTube e transmitidas em três canais de televisão nos períodos matutino, vespertino e noturno. “Pensando que nem todos os estudantes têm acesso a dispositivos tecnológicos, disponibilizar aulas em canais de TV é uma forma de universalizar o acesso, já que 99% dos nossos estudantes têm televisores em casa”, aponta Roni Miranda, diretor de educação da Seed-PR.

Para os alunos que têm dispositivos móveis, mas encontram dificuldade para acessar internet de qualidade, o governo negociou com as operadoras de telefonia a isenção no consumo de dados para o uso do aplicativo. E, para aqueles sem acesso aos meios digitais, foram disponibilizadas trilhas de aprendizagem impressas, preparadas pelos profissionais da equipe de currículo da secretaria.

“A jornada da educação híbrida no Paraná contou com a criação de aproximadamente 55 mil salas de aula no Google Classroom, disponibilizando materiais didáticos em vídeos e exercícios para os estudantes. São ferramentas para deixar a aula virtual mais atrativa, engajando ainda mais os estudantes”, afirma Roni. Para os professores, foi criado o curso Formadores em Ação, que semanalmente reúne docentes para discutir temas como práticas em sala de aula, metodologias ativas e tecnologias educacionais. A cada trimestre, a ferramenta impacta cerca de 24 mil professores.

O cardápio de soluções para o ensino híbrido do estado ainda contém ferramentas como Inglês Paraná, Redação Paraná, Programa EduTech, Prova Paraná, Educa Juntos, Mais Aprendizagem e Tutoria Pedagógica.

 

Ceará: aprendizagem híbrida é mais do que mesclar presencial e virtual 

As diretrizes para o ano letivo de 2021 da Seduc-CE apontaram para uma aprendizagem híbrida que vai muito além de apenas combinar os ensinos presencial e on-line.

“Para fazer educação híbrida, precisamos entender o que não é educação híbrida, como o simples fato de colocar computador e celular na mão dos estudantes”, analisa Maria Elizabete de Araújo, assessora especial da Secretaria de Educação do Ceará. “O ensino híbrido deve favorecer a adoção de diferentes experiências de aprendizagem aos alunos     , com atividades que podem acontecer no espaço escolar ou não.”

Entre as ações de destaque da Seduc-CE estão o lançamento do “Guia de Orientações sobre o Ensino Remoto/Híbrido”, que reúne sugestões didático-pedagógicas e estratégicas para a educação híbrida. Dedicadas aos professores do estado, a Conexão Seduc e a Coordenadoria Estadual de Formação Docente e Educação a Distância (Coded-CED) realizam diversas ações pedagógicas destinadas à formação continuada de profissionais da educação.

Já o programa Educação Conectada investiu, em 2020, R$ 5,6 milhões para a aquisição de kits de gravação para as 713 escolas da rede estadual, além dos Centros Cearenses de Idiomas. Ainda entre 2020 e 2021 foram distribuídos mais de 620 mil chips com pacote mensal de internet móvel para os alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio. Esses últimos também receberam cerca de 300 mil tablets. Já os professores, tanto efetivos como temporários, receberão em 2022 mais de 21 mil notebooks para apoiar suas práticas pedagógicas.

 

Recife: tecnologia e inovação como estratégia 

O Educa Recife, implementado na rede municipal de ensino durante a pandemia, vem buscando ampliar o tempo, o espaço e o ritmo de aprendizagem dos estudantes através do ensino híbrido. O programa possui diversos eixos, entre eles “Tecnologia e Inovação”, que é subdividido em três categorias: infraestrutura, equipamentos e pessoas.

De acordo com Fred Amancio, secretário de Educação do Recife, tecnologia e inovação estão incluídas em todas as ações estratégicas da cidade. “Nas escolas, queremos que nossos estudantes não apenas aprendam com tecnologia, mas também sobre tecnologia. Isso é indispensável para o futuro deles”, ressalta.

No que se refere à infraestrutura, a secretaria criou uma plataforma de ensino remoto e construiu quatro estúdios profissionais para a produção de aulas digitais. Além do aplicativo Educa Recife, as aulas também são transmitidas na televisão e no YouTube.

Em relação aos equipamentos, foram distribuídos tablets aos estudantes e notebooks aos professores, ambos com acesso à internet. Até o final de 2022, 100% das escolas da rede terão acesso à internet de alta velocidade, e também estarão equipadas com TVs, desktops e Chromebooks, dispositivo criado pelo Google para uso educacional.

No que diz respeito aos profissionais da rede, a secretaria tem investido cada vez mais na formação em competências digitais, trabalho feito principalmente pelas 18 Unidades de Tecnologia na Educação e Cidadania (UTECs). “A curadoria de conteúdos é muito importante, e é preciso desenvolver essa competência em nossos professores”, finaliza Fred.

Felipe Felisbino, Suely Menezes e Leuzinete Pereira participam da mesa “Reflexões e debate para uma adoção da Aprendizagem Híbrida com qualidade e equidade no Brasil”, ao lado da mediadora Lúcia Dellagnelo

Considerações para o uso de Aprendizagem Híbrida 

Por fim, a terceira mesa reuniu Leuzinete Pereira, do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Suely Menezes, do CNE (Conselho Nacional de Educação) e Felipe Felisbino, do CEE/SC (Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina). Sob o tema “Reflexões e debate para uma adoção da Aprendizagem Híbrida com qualidade e equidade no Brasil”, o debate foi mediado por Lúcia Dellagnelo, diretora presidente do CIEB (Centro de Inovação para a Educação Brasileira).

“O CNE está discutindo há mais de um ano a educação híbrida”, informa Suely. “Questões como nomenclatura e abordagens metodológicas, por exemplo. A educação híbrida não é modalidade, pois ela atende a todos os públicos, e não um público específico. Também achamos necessário apartar a ação emergencial da pandemia da discussão conceitual sobre educação híbrida. Essa fase foi altamente produtiva para mostrar as possibilidades do uso de tecnologia da escola, mas ela não mostrou o que é educação híbrida.”

Ainda, Suely reforça que várias competências da BNCC apontam que é preciso entrar na visão tecnológica do mundo. “E o mundo exige isso de nós. Devemos criar uma sinergia positiva sobre o uso de tecnologia a favor do ensino e aprendizagem.” Já Filipe Felisbino reforça que tecnologias não são componentes curriculares, mas sim “ferramentas para concretizar a prática pedagógica”.

Leuzinete Pereira, por sua vez, afirma que se os meios tecnológicos não servirem para apoiar o aluno no desenvolvimento de seu projeto de vida, “será mais um adereço educativo que não atingirá o seu objetivo”.

A mesa final chegou às seguintes considerações: a aprendizagem híbrida no Brasil não deve reduzir o tempo do aluno na escola, mas sim ampliar o tempo e aprendizagem       dentro ou fora dela; não deve interferir na execução do currículo; e que se deve aprender com tecnologia e sobre tecnologia.

Também foram destacados dois pontos que ainda precisam ser melhor discutidos: como garantir equidade para que a aprendizagem híbrida não aumente a desigualdade e como prevenir a precarização do ensino e da aprendizagem.

Para encerrar o evento, o diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo, Americo Mattar, ressaltou que o relatório lança um debate público sobre esse tema tão importante para a educação, já que ainda há muito o que se aprender, discutir e publicar sobre aprendizagem híbrida no Brasil. “Como discutimos aqui, não há um jeito único de se fazer aprendizagem híbrida. O documento lança uma base mínima para que não se aumente a desigualdade educacional no Brasil”, observa.

“É necessário que a tecnologia esteja a serviço da aprendizagem dos alunos, potencializando a prática pedagógica dentro da escola. Temos que preparar nossos estudantes para essa realidade, e, também, é fundamental preparar nossos professores e gestores públicos”, conclui Américo.

Aprendizagem híbrida no Brasil: redes apresentam suas experiências
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