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Exemplos de acessibilidade e inclusão para alunos cegos e surdos serão apresentados em outubro no evento Amostre-SE

#AulaDigital#Educadores#Inclusão

Imagem mostra professora negra sorrindo e digitando em um notebook

Acessibilidade é oferecer a todos diferentes oportunidades iguais, independentemente da sua capacidade ou circunstância. É a possibilidade de acessar, de maneira autônoma, sem nenhum tipo de barreira, algum lugar, serviço, produto ou informação, de modo que todas as pessoas, com ou sem deficiência, sejam beneficiadas em todas as fases da vida. Essa é a definição do Guiaderodas, uma iniciativa criada para proporcionar uma vida mais autônoma e com inclusão para todos.

É com essa linha de pensamento que o Projeto Aula Digital, em parceria com o Instituto Paramitas – executor do projeto em Sergipe – vem promovendo práticas que buscam tornar suas ações e ofertas mais acessíveis junto à rede de ensino do estado da região Nordeste.

Exemplos do trabalho que vem sendo realizado nesse sentido serão apresentados na segunda edição do Amostre-SE. O evento, que será realizado no dia 20 de outubro no Museu da Gente Sergipana, com transmissão pela internet, tem como proposta a valorização das iniciativas de sucesso dos educadores sergipanos.

Seu objetivo é compartilhar as práticas e ações pedagógicas desenvolvidas pelas escolas atendidas pelo Aula Digital no estado e ser um espaço de visibilidade e de valorização educacional. Além de inspirar novas práticas para professores de todo o país.

Com o objetivo de criar melhores oportunidades para crianças em todo o mundo, o ProFuturo conta com o projeto Aula Digital, que incorpora a inovação nas escolas por meio da tecnologia e de novas metodologias de ensino e aprendizagem, pautado nas cinco frentes de atuação do programa.
As ações do Aula Digital envolvem a formação e o apoio contínuo a professores, coordenadores pedagógicos, gestores escolares e técnicos das secretarias. Além da distribuição dos kits tecnológicos, que contemplam dispositivos como notebooks, tablets, telas de projeção e o acesso a conteúdos pedagógicos digitais para as escolas atendidas.

“O Amostre-SE terá espaços de painéis interativos que divulgarão cases de sucesso. É um espaço de exposição permanente, interação e compartilhamento das ações realizadas pelas escolas com uso do projeto Estude em Casa pelas Ondas do Aula Digital, e muito mais. Além dos painéis, teremos conferências curtas gravadas. E uma delas tratará da ação da escola 11 de Agosto. Nossa perspectiva é que venham outras ações de inclusão, também como proposta dos painéis”, explica Ana Silvia Conceição de Oliveira, do Instituto Paramitas.

Assim como na primeira edição, este ano o evento será realizado remotamente, com expectativa de mais de 3 mil participantes. O recurso de audiodescrição, que traduz imagens em palavras, estará disponível para que pessoas cegas ou com baixa visão possam compreender o conteúdo do evento.

O Estude em Casa pelas Ondas do Aula Digital foi criado em 2020 pela Secretaria de Educação, do Esporte e da Cultura de Sergipe (Seduc) e pelo Instituto Paramitas. O objetivo foi desenvolver um projeto formativo e pedagógico que pudesse transmitir conteúdos para os estudantes sem acesso à internet ou canais de TV desde o início da pandemia. Para isso, decidiram, na época, usar a rádio educativa local

Entretanto, a ação se tornou ainda mais inovadora em 2021 ao disponibilizar os conteúdos aos professores e alunos em outras mídias: impressa (Cadernos de Aprendizagem), podcast (áudio), animações em vídeo (TV), digital (disponibilização dos materiais via internet).

Além disso, existe a preocupação de tornar o projeto mais acessível e significativo como recurso pedagógico, auxiliando a aprendizagem dos estudantes surdos e cegos. A expectativa é que as 120 aulas em vídeo e animações tenham interpretação em libras e audiodescrição

Educação e inclusão

Quando foi informada pela coordenação da Escola Estadual 11 de Agosto sobre a adesão ao Estude em Casa pelas Ondas do Aula Digital, em 2020, a professora Maria Isabel Dórea Santos percebeu que seus alunos surdos não teriam acesso aos conteúdos dos Cadernos de Aprendizagem.

“As explicações eram somente em áudio. Então, como eu já estava gravando vídeos dos conteúdos do planejamento normal e postando em um canal do Youtube para os meus alunos, o coordenador perguntou se eu também poderia interpretar em Libras as aulas desse projeto”, explica.

Ela conta que aprendeu o alfabeto em Libras – a Língua Brasileira de Sinais – quando era criança. “Minha mãe namorou um surdo na adolescência e aprendeu alguns sinais. Anos mais tarde, me ensinou, quando eu tinha uns sete ou oito anos. Depois, fiz o primeiro curso em 2002 e, de lá para cá, não parei mais”.

Em suas turmas, há quatro estudantes surdos, com idade entre 11 e 15 anos. “Eles gostaram bastante do Caderno de Aprendizagem, pois as atividades são curtinhas, bem ilustradas (muito importante para alunos surdos) e de fácil resolução!”, destaca.

O canal no Youtube foi criado pela educadora para facilitar o acesso das crianças e dos pais dos alunos ao conteúdo gravado. Assim, não teriam que fazer o download dos vídeos que, antes, eram enviados pela professora via WhatsApp.

“Tudo foi feito por mim: interpretação e gravação, que, inclusive, é bem amadora. Nesse canal tem aulas do 5º ano regular, aulas do Estudo em Casa pelas Ondas do Aula Digital e revisões de aulas de Libras que ministrei para a Escola Superior de Advocacia de Sergipe”.

Histórias ao Pé do Ouvido

Ao ser aplicada em sala de aula, a contação de histórias pode auxiliar no desenvolvimento cognitivo, físico e socioemocional das crianças, destacando-se como uma aliada importante da educação infantil.

Nesse sentido, o quadro “Histórias ao Pé do Ouvido” – uma das iniciativas que serão apresentadas no Amostre-SE e que é parte do projeto Estude em Casa pelas Ondas do Aula Digital -, vem cumprindo o papel de ser um atrativo para que as crianças se interessem pelos estudos e ampliem os seus conhecimentos em sala de aula.

A professora Luciana Celi Neves Bezerra, do município de Laranjeiras (SE), atua como voluntária na iniciativa fazendo a contação de histórias para os alunos. “A iniciativa surgiu da necessidade que as crianças tiveram de ter algo atrativo para estudar, mesmo sendo a distância. E de forma lúdica elas foram conduzidas a dar continuidade às aprendizagens em suas casas, auxiliadas pelos seus pais ou responsáveis. A participação da família é fundamental”, detalha.

As histórias são previamente gravadas no Instituto Paramitas pelos professores contadores, de acordo com a temática e módulo de ensino. Alunos de toda a rede de ensino do estado e dos municípios têm acesso ao conteúdo.

“Quando a gente escuta uma história, estamos lendo com os ouvidos. Acredito que entre os alunos que escutam as histórias deva haver crianças cegas. Eu empresto minha voz aos personagens, ao enredo, e discorro através da narrativa o lúdico e o imaginário, para que a criança ao escutar uma história ao pé do ouvido possa adentrar nesse universo do imaginário e criar possibilidades de refletir e ampliar seus conhecimentos através dessa leitura. A leitura com os ouvidos”, afirma a educadora.

Boas práticas do Aula Digital promovem a inclusão de alunos em Sergipe
Boas práticas do Aula Digital promovem a inclusão de alunos em Sergipe