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O ambiente digital pode ser benéfico e educativo, se usado de maneira consciente. Veja o que os responsáveis podem fazer para promover um acesso seguro em tempos de pandemia

#Educação#Educadores

Imagem de menina vendo um tablete com fones de ouvido, deitada

O ambiente digital conta, cada vez mais, com a presença infantil. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2019, quase 90% da população brasileira entre 9 a 17 anos é usuária de Internet. No total, são cerca de 24,3 milhões de crianças e adolescentes conectados, ainda que exista desigualdade de acesso desse público, dependendo da região do país e da renda familiar.

Durante os meses de pandemia, o isolamento físico, adotado para conter a disseminação do coronavírus, proporcionou novas formas de socialização, com a internet assumindo papel central. Este intenso processo de digitalização gerou inúmeras oportunidades de ensino e aprendizagem.

No entanto, o uso da internet apresenta pontos de atenção à exposição de conteúdos inadequados, fake news (desinformação), cyberbullying (assédio ou violência realizados por meio das tecnologias digitais), ofensas, preconceito, discriminação, assim como publicidade exagerada.

“As oportunidades têm relação direta com os riscos aos quais as crianças e adolescentes se expõem quando intensificam sua presença no ambiente digital. Na pandemia, esses riscos se avolumaram, na medida em que as crianças e adolescentes ampliaram o tempo de tela, não só para estudar, mas para estar em contato com familiares e amigos e ter lazer”, avalia Renata Tomaz, pesquisadora de comunicação, cultura e infância do Programa de Pós-graduação em Mídia e Cotidiano da UFF.

Neste caso, é importante refletir sobre os caminhos possíveis para garantir o bem-estar e a utilização segura e saudável das redes pelas crianças, em tempos de isolamento social e ensino remoto, e no pós-pandemia.

Renata explica que não cabe apenas aos responsáveis e educadores a proteção dos mais jovens. “Nossa Constituição deixa muito claro, no artigo 227, que é responsabilidade da sociedade zelar pela criança e pelo adolescente com absoluta prioridade. Sendo assim, cabe a todos nós, nos engajarmos na promoção e na garantia não só deste, mas de outros direitos”, afirma a pesquisadora.

Veja abaixo dicas para garantir a segurança digital de crianças e adolescentes, para além do manuseio de novas tecnologias.

 

Uso de plataformas infantis 

Para atender a maior demanda infantil na internet, em 2015, o YouTube (plataforma de compartilhamento de vídeos) lançou o YouTube Kids. O site contém conteúdos para crianças, recursos de controle dos pais e filtragem de vídeos considerados inadequados para menores de 12 anos.

O Google (site de pesquisas) também desenvolveu o Kiddle. Ele funciona de maneira idêntica ao buscador, mas com filtragem de conteúdo impróprio para crianças. É possível, ainda, utilizar o filtro de pesquisa SafeSearch, disponível nas configurações do buscador. Essas ferramentas minimizam as chances das crianças entrarem em contato com conteúdos explícitos.

 

Conversar com a criança 

O guia Navegar com Segurança – Por uma infância conectada e livre da violência sexual, desenvolvido pela Childhood, mapeia dicas para pais e educadores com intuito de proteger as crianças dentro do ambiente digital. O documento afirma que conversar sobre o assunto é mais importante do que impor proibições rígidas.

“É preciso entender também os limites da influência e da vigília do adulto no uso da internet pela criança e o adolescente. É fundamental acompanhar as crianças, mas a sua liberdade não pode ser cerceada, impedindo a criatividade, a privacidade e o desenvolvimento pessoal. Mostrar-se disponível e interessado é o caminho certo para influenciar a navegação com segurança”, aponta o artigo.

Na Era da Informação, a educação digital é a melhor forma de proteger as crianças, segundo a pesquisadora da UFF. “Acredito que o uso de aplicativos parentais para proteção das crianças, a limitação de tempo de tela e até a supervisão presencial no consumo de tela se tornam atitudes bem mais eficientes quando existem conversas constantes”, afirma Renata.

Ela ainda ressalta a importância de se entender de que modo as crianças são atraídas pelos conteúdos, ações, perfis ou canais. “Saber do que as crianças gostam, por que assistem, em que medida julgam tal conteúdo necessário, é um caminho bastante produtivo para orientar e fornecer medidas de segurança para os mais novos”, finaliza.

Proteger os dados 

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) é o principal mecanismo legal para garantir proteção pessoal, mas também para ensinar a importância dos dados pessoais.

“Em linhas muitos gerais, ela é regida pelo princípio de que todos nós, incluindo as crianças e os adolescentes, temos o direito de saber como uma organização vai usar nossos dados pessoais, de modo que ela justifique pedi-los”, explica Renata Tomaz.

Logo, entender essa importância é o primeiro passo para aprender a protegê-los, segundo a especialista. “As crianças precisam saber que seu nome, sua idade, seu tipo sanguíneo, seu endereço, o número do telefone ou do cartão de crédito, ou até mesmo seus gostos e predileções valem muito na nossa sociedade e, por isso, devem ser protegidos e receber um tratamento de qualidade”

Ao mesmo tempo, é importante impedir que elas façam perfis e contas em plataformas e sites que não sejam indicados para sua idade. “Contas de e-mails infantis, gerenciadas pelos pais, possuem algumas restrições que, de alguma forma, deixam as crianças menos expostas em baixar aplicativos e, neste sentido, fornecer dados sem os devidos critérios”, diz Renata.

No contexto escolar, a coleta e o tratamento de dados infantis em plataformas educacionais devem se restringir à finalidade de melhoria da metodologia de ensino e jamais para o direcionamento de publicidade segmentada para crianças.

Superexposição e uso das redes sociais 

“Vivemos em um mundo em que não ser visto é quase não existir socialmente. Isso significa que estar no mundo, ter relevância e reconhecimento social pressupõe ter visibilidade”, diz a pesquisadora. Neste contexto os adultos, assim como as crianças, vão buscar meios de estarem visíveis.

O alcance do que é postado on-line ainda é difícil de dimensionar, assim como a fronteira entre o que os pequenos podem ou não expor na internet para amigos e familiares. Dessa forma, o uso de redes sociais precisa ser acompanhado de perto, sem desrespeitar ou invadir a privacidade do outro. Vale lembrar que, conforme as normas do Facebook, Instagram e YouTube, por exemplo, só pode criar um perfil quem tem mais de 13 anos de idade.

Pedir ajuda e se informar 

Há diversos materiais gratuitos de conscientização e orientação sobre o uso mais seguro da internet. A ONG SaferNet, referência na promoção e defesa dos direitos humanos na Internet no Brasil, criou o Helpline.br para responder às dúvidas dos pais e responsáveis, oferecendo atendimento por e-mail, chat e telefone. A organização também coordena a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos.

A Plataforma Pilares do Futuro busca compartilhar boas práticas educativas em cidadania digital. O guia A Escola no Mundo Digital, desenvolvido pelo Instituto Alana, Educadigital e Intervozes, reúne informações sobre a proteção de crianças e adolescentes no uso de tecnologias nas escolas e nos espaços de ensino.

O projeto Cidadão na Rede, desenvolvido pelo NIC.br, busca difundir e incentivar boas práticas relacionadas à cidadania digital e ao bom uso da Internet. A iniciativa oferece animações curtas que explicam de maneira simples como usar a rede de forma correta e responsável.

Como famílias e educadores podem garantir a segurança de crianças e jovens na internet
Como famílias e educadores podem garantir a segurança de crianças e jovens na internet