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A escola pode representar um papel central para incentivar as mentes criativas por trás das soluções transformadoras da sociedade. Entenda!

#Educação#EscolaDigital

A imagem mostra duas jovens, uma negra e uma branca em um laboratório. Ambas estão com jaleco branco e máscara de proteção e uma delas segura um tubo de ensaio.

Um levantamento feito pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) analisou a porcentagem de artigos assinados por mulheres no período entre 2014 e 2017 e apontou que 72% das publicações científicas foram escritas por mulheres. No entanto, elas representam apenas 14% do total de pesquisadores da Academia Brasileira de Ciências.

Uma das estratégias para reverter esse cenário é desmistificar o estigma construído historicamente de que meninas são melhores desempenhando papéis nas áreas relacionadas ao cuidado ou às humanidades.

“Quando foram confinadas a um serviço doméstico não remunerado, as mulheres também passaram a ser menos valorizadas e remuneradas no mercado de trabalho. Isso reforça uma sociedade que dita os padrões da nossa capacidade”, afirma Anna Canavarro Benite, Doutora e Mestre em Ciências e professora da Universidade Federal de Goiás (GO).

Para relembrar a sociedade do papel fundamental ocupado pelas mulheres, as mentes por trás das descobertas científicas transformadoras, a UNESCO e a ONU Mulheres estabeleceram, desde 2015, o dia 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

Desconstrução de papéis a partir do currículo escolar 

Na opinião da doutora, essa mudança de paradigma começa na escola. É no ambiente escolar que os sujeitos se reúnem com crenças, valores e culturas diferentes da apresentada no núcleo familiar. Mas quando o currículo é formulado a partir de um sujeito único e para um determinado grupo, essas diversidades não são contempladas e acabam por homogeneizar o aprendizado.

Coordenadora do Laboratório de Pesquisas em Educação Química e Inclusão e do CIATA- Grupo de Estudos sobre a Descolonização do Currículo de Ciências, Anna desafia os padrões ditados. Mulher negra e cientista, ela projeta o ensino de Química voltado para as matrizes afro-brasileiras e da diáspora. Em 2016, surgiu a ideia de levar esse conhecimento para além da Universidade.

O movimento social Dandaras do Cerrado, a Universidade Federal de Goiás e a Escola Estadual Sólon do Amaral formaram uma gestão colaborativa para incentivar meninas na escolha de carreiras nas áreas de Ciência e Tecnologia. Localizada na periferia da cidade, a escola atende 1.500 estudantes e uma comunidade escolar que alcança 50 mil pessoas.

“O Investiga Menina foca em um recorte de gênero e raça, embora os meninos também participem. Nós vamos às salas de aulas uma vez por semana e trabalhamos componentes do currículo regular usando como base as descobertas de cientistas mulheres, negras, brasileiras e contemporâneas. A ideia é poder proporcionar um encontro presencial entre as cientistas e as estudantes”, explica a educadora.

Anna relembra o dia em que Sônia Guimarães, física e pesquisadora do ITA, foi à escola para discutir o conceito por trás dos átomos e explicou o processo usando celulares e controles remotos como exemplo, para se conectar à realidade delas.

“Assim a gente dá significado a essa Ciência e desperta a vontade de seguir carreiras científicas, pois estabelecemos uma relação de proximidade, visibilidade e representatividade”, conclui.

Como o currículo escolar pode incentivar a trajetória de mulheres e meninas na Ciência?
Como o currículo escolar pode incentivar a trajetória de mulheres e meninas na Ciência?