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A primeira conquista de muitas que ainda virão

Franciele Fonseca
Santo Ângelo, RS

Aos meus 16 anos de idade, numa certa noite, estava acompanhada de alguns amigos, quando fomos abordados por policiais em frente à escola que freqüentávamos. Em um local da calçada onde estávamos, foi encontrada uma porção de entorpecente. Fui acusada de ser a usuária da droga encontrada, sendo, assim encaminhada à delegacia e logo em seguida liberada. Após algumas semanas do ocorrido, fui intimada a comparecer em uma audiência, na qual foi determinado que eu deveria prestar serviços à comunidade por dois meses no Centro de Apoio à Gestante e freqüentar aulas com uma orientadora no Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDEDICA).

Em uma manhã dessas, enquanto prestava serviço no Centro de Apoio, ao encaminhar as fichas dos pacientes para o consultório da médica, a Dra. Rita, me perguntaram se eu gostaria de participar de um curso de auxiliar de enfermagem. Pressentindo que poderia ser uma boa oportunidade na minha vida, aceitei o convite.
“O curso teve início, e eu comecei a freqüentar aulas de enfermagem com outros nove alunos”

Então, depois de algumas semanas, o curso teve início, e eu comecei a freqüentar aulas de enfermagem com outros nove alunos que também foram selecionados para fazer parte do projeto do CEDEDICA e da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI). Curiosamente, somente eu vim a concluir o curso.

No decorrer das aulas obtive muito conhecimento na área da saúde, além do apoio da Dra. Rita, da enfermeira Janaína, do CEDEDICA, e especialmente de meus pais, que me incentivaram muito. Fui gostando dessa área, depois de ter concluído todas as aulas teóricas, comecei as aulas práticas em postos de saúde de Santo Ângelo (RS). Nas visitas domiciliares que fazia, vi muita pobreza e um escasso entendimento sobre os direitos que cada um tem em relação ao acesso à saúde e à sua plena condição de cidadão.

Estivemos também nas cidades vizinhas de Santo Ângelo, onde tivemos mais conhecimentos sobre procedimentos e medicações e sobre a prioridade totalmente voltada para o bem estar dos pacientes. Nesses estágios que fiz, contei com a ajuda da enfermeira do CEDEDICA, a Janaína, da Dra. Rita, e de meus pais que, com muito sacrifício, tiveram muitos custos comigo em relação a viagens para as cidades.

Auxiliada pelo CEDEDICA, não só obtive um desempenho social como também moral. E, apesar de muitas dificuldades que tive, consegui chegar até o fim e quero poder continuar estudando, fazendo o técnico de enfermagem e até mesmo quem sabe um dia, um doutorado na área, se Deus quiser.

Em março deste ano aconteceu a minha formatura. A Janaína compareceu representando o CEDEDICA. Ela estava lá para me homenagear, juntamente com os meus pais, meus irmãos, amigos e parentes. Na mesa das autoridades sobre o palco, estava a Dra. Rita, além das minhas professoras Miriam e Virgínia, que também muito me ajudaram até o fim da jornada.

O Estatuto da Criança e do Adolescente entrou na minha vida não só para me dizer os meus deveres, mas também de fazer de mim sujeito de direitos, como o exercício da minha cidadania.

 

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Conheça os semi-finalistas do Concurso – A primeira conquista de muitas que ainda virão
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