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Novo Ensino Médio: primeiro itinerário de formação técnica e profissional em Ciência de Dados. Saiba mais

A falta de informações completas e confiáveis sobre determinados assuntos é conhecida como deserto de dados. Saiba mais sobre o tema

#CiênciadeDados#Estudantes

Imagem mostra uma lupa. Ao fundo, vê-se uma série de códigos e letras.

Na Era dos Dados, em que o Big Data representa a enxurrada de informações que chegam a todo momento aos bancos de dados de empresas e instituições, o deserto de dados acontece quando não existem informações confiáveis sobre determinados assuntos. Geralmente, temas relacionados às minorias e às populações em situação de vulnerabilidade social.

Muito tem sido falado sobre o correto tratamento dos dados que são coletados a todo o momento, sobre tecnologias inclusivas e algoritmos enviesados – aqueles com distorções que podem desfavorecer determinados grupos de pessoas. Entretanto, pouco se discute sobre o deserto de dados, considerado uma das principais causas desses problemas.

“Cada vez fala-se mais sobre dados, mas eles ainda são algo recente na sociedade. Então é natural que existam desertos de dados. Por outro lado, muitos desertos de dados podem ser intencionais. Afinal, se não há dados sobre determinado tema, é como se não existisse um desafio ali, não sendo necessário criar uma solução”, explica Karoline Muniz, Coordenadora de Projetos da Social Good Brasil. A organização é precursora no desenvolvimento de metodologias em que dados e novas tecnologias são utilizados de forma consciente, ética e voltada para o bem.

A dificuldade de grupos sociais mais vulneráveis terem acesso a serviços digitais e sistemas de coleta e armazenamento de dados propicia realidades não representadas e narrativas apagadas. E isso pode dificultar a visão geral do panorama de uma determinada situação. Além de potencializar interpretações incorretas e gerar conclusões baseadas em generalizações de grupos.

“Outro ponto importante é o viés inconsciente. Ou seja, quando estamos criando uma coleta de dados, podemos ser afetados pelo nosso próprio viés e não perceber que estamos tendenciando essa coleta a um grupo específico ou excluindo outro, por exemplo”, complementa Karoline.

Consequências sociais do deserto de dados

Além da tecnologia necessária e de profissionais habilitados para a criação de inteligências artificiais inovadoras, dados são necessários para alimentar e treinar esses sistemas. Entretanto, as falhas de interpretação causadas pelo deserto de dados podem gerar consequências sociais.

Nesse sentido, a desigualdade de acesso à internet cria abismos sociais que podem agravar ainda mais a situação de grupos vulneráveis. Dados incompatíveis também podem criar generalizações e resultar em soluções consideradas inúteis.

Exemplo disso é a diferença de realidades entre mulheres da mesma raça, classe social, faixa etária e estrutura familiar que moram em diferentes regiões. Um programa assistencial que atende a quem mora em uma área industrial com altos índices de empregabilidade pode não atender às necessidades da mulher que vive em uma comunidade ribeirinha. Por isso, é necessário considerar todo o contexto e democratizar o compartilhamento de informações.

“Quando não temos dados sobre determinado tema, não conseguimos gerar análises e tomar as melhores decisões sobre ele. Assim, não ter dados sobre desafios sociais ou grupos minoritários pode inviabilizar essa temática, impossibilitando que sejam criadas narrativas, políticas públicas e soluções”, esclarece a coordenadora de projetos.

Como evitar o deserto de dados?

A melhor maneira de evitar o deserto de dados é fazendo a correta gestão, desde a coleta dos dados, passando pela sua organização e análise. É fundamental identificar quais informações faltam, os grupos abrangidos e suas necessidades, e desenhar soluções para uma coleta mais eficiente.

Ao iniciar um processo de coleta de dados, é preciso conversar com os grupos sub-representados e com as lideranças comunitárias para entender a sua cultura. Dessa maneira, será possível encontrar formas de engajamento e alternativas para inserir a tecnologia na sua realidade. A humanização do processo também auxilia no treinamento da máquina que, sozinha, não possui a capacidade de interpretação de novas informações.

Além disso, entender as limitações na coleta e processamento de dados, indicando a existência de grupos não representados é uma forma de alertar a existência de desertos de dados. Bem como aumentar os esforços para a captação dessas informações, garantindo a representação de toda a população local.

“Educação em dados vai além das competências analíticas. Mas também é sobre competências humanas, que olham, por exemplo, para os impactos sociais dos dados, como é o caso do deserto de dados. É preciso educar em dados a gestão pública, para que a tomada de decisão seja baseada em dados e evidências e tenha o olhar de reverter os desertos de dados existentes”, conclui Karoline.

Deserto de dados: entenda o que significa esse fenômeno
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