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Apostamos na força transformadora da educação, conectando pessoas ao conhecimento.

Conheça a trajetória de educadores que fazem da inclusão uma prática pedagógica a partir dos aprendizados e das necessidades da comunidade escolar onde atuam, respeitando as diferenças, sem deixar de olhar para a construção coletiva do projeto educativo.

#Educação#Educadores#EducandoParaTransformar

“Aquele que sabe que sabe”. É assim que o povo indígena kadiwéu define a figura do professor. Mas a definição não para por aí, ela complementa e se conecta profundamente à outra: o estudante é “aquele que ainda não sabe que sabe”. Nesta perspectiva, o educador não se coloca como detentor de todo o conhecimento, mas sim como mentor de uma jornada baseada na troca e na inclusão de saberes.

“Posso dizer que me formei professor com os kadiwéus. Quando cheguei lá, tinha uma visão completamente diferente sobre o exercício de ensinar. Tornei-me um educador muito mais atento àquilo que tem significado para os aprendizes e percebo com muito mais facilidade as necessidades dos meus estudantes”, afirma o professor de História, Giovani da Silva, 49, que passou oito anos nas cinco aldeias dos kadiwéus, localizadas na região de Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul.

Giovani da Silva

Apesar de ter nascido em São Paulo capital, o educador tem origens paraguaias e seus familiares sempre viveram na fronteira com Porto Murtinho. Desde muito novo, Giovani acostumou-se a ouvir dos tios e tias histórias sobre os bravos guerreiros kadiwéus e nutriu por eles uma grande admiração. Muito por conta dessa ligação, decidiu iniciar o caminho rumo à educação indígena. Além de mestre e doutor em História Indígena, o educador é também especialista em Antropologia.

Em 1996, a prefeita do município convidou Giovani para auxiliar na regularização do sistema de ensino nas aldeias kadiwéu. Até então, as escolas eram coordenadas pela FUNAI, mas por determinação do Ministério da Educação, essa oferta passou a ser responsabilidade da prefeitura. Ao longo de três anos, o educador trabalhou em conjunto com os kadiwéu e inaugurou a primeira Escola Municipal Indígena da região, onde lecionou por mais cinco anos.

“Conhecer os kadiwéu aos 25 anos de idade foi a realização de um sonho para mim. O meu primeiro contato com eles foi extraordinário e eles também me aceitaram. Enquanto gestor eu ia e voltava para a aldeia principal, que fica a 400 km do município. É um percurso cansativo e de difícil acesso. A pedido do kadiwéu me tornei professor e fui morar com eles. Por ser o único, ensinava de tudo: História, Português, Matemática…”, relembra Giovani.

O educador acrescenta que nenhum outro colega aceitou trabalhar na aldeia. Sem energia elétrica, sem água potável e sem infraestrutura adequada na escola, as condições de trabalho não eram atraentes. Percebendo isso, os kadiwéu pediram ajuda de Giovani para formar professores indígenas. Em 2004, quando deixou a aldeia, o grupo contava com 20 educadores formados.

Giovani reforça, no entanto, que os maiores aprendizados foram os dele. O primeiro passo foi aprender kadiwéu para que pudesse se comunicar melhor com os estudantes e os familiares. Ao fazer isso, teve a oportunidade de ouvir a perspectiva deles em relação à História do mundo, o que o fez encarar a vida de forma totalmente ressignificada. A partir de então, o educador assumiu a responsabilidade de levar o conhecimento que recebeu para outros espaços.

Inclusão que ultrapassa fronteiras

A inclusão de saberes e vivências também faz parte do dia a dia de Jennifer Barbosa Barros, 31, que atua como professora de Língua Portuguesa em um abrigo para migrantes venezuelanos na cidade de Boa Vista, em Roraima. O estado, que faz fronteira com a Venezuela, recebe um fluxo grande de crianças e adolescentes chegando ao país em situação de alta vulnerabilidade social.

O primeiro contato da professora com essa realidade foi em 2019, quando participou da iniciativa Operação Acolhida, da Organização das Nações Unidas (ONU), como assistente de campo no posto de triagem. Graduada em Letras, com ênfase em espanhol, Jennifer sempre gostou de estudar temas que relacionassem idiomas e cultura. Não demorou até que fosse convidada a lecionar em um projeto complementar, o Super Pánas.

Criado pelo UNICEF, o “Super Amigos” — em tradução para o português — tem como objetivo instalar espaços dentro dos abrigos para proporcionar atividades educativas e protetivas para os jovens migrantes. Jennifer, que antes dava aulas na rede pública de Roraima, decidiu aceitar o convite e o desafio de acompanhar as 844 crianças e adolescentes acolhidos pelo abrigo Rondon 3.

Jennifer Barbosa Barros

“A princípio foi um choque, porque eu não conhecia a realidade do abrigo. O contexto escolar é totalmente diferente de uma escola formal. Mas com o passar dos meses eu fui me adaptando e me apaixonando pelo trabalho, pelas crianças e pelas famílias, com quem passei a estabelecer um vínculo muito forte”, conta a educadora.

Antes da pandemia, os professores davam aulas de segunda à sexta, no período da manhã e da tarde. Além de oferecer reforço escolar e preparação das crianças para ingressar na rede pública de ensino, a equipe se habituou a criar um ambiente repleto de afeto, abraços e acolhimento. Com as medidas de isolamento social, Jennifer é categórica ao dizer que o maior desafio foi adaptar essa parte da interação.

Ainda assim, os professores encontraram alternativas. Seguindo todos os protocolos de segurança, eles se organizaram em equipes para conduzir oficinas com turmas reduzidas. Nesse período, confeccionaram máscaras que foram entregues aos moradores, gravaram videoaulas e passaram a integrar a programação da “Súper Panas na Rádio”.

No áudio abaixo, Jennifer explica a importância de dar continuidade ao trabalho que realizam no projeto:

Tecnologia para incluir

Há mais de 18 anos atuando na rede pública de Mogi das Cruzes (SP), a professora de Matemática e Ciências, Eunice Rodrigues Guedes, de 52 anos, construiu uma relação próxima e duradoura com a comunidade escolar do distrito de Sabaúna, no qual reside há mais de 30 anos. A escola onde leciona, Aristóteles de Andrade, atende cerca de 300 estudantes que, em grande parte, são moradores da zona rural. Para eles, a escola é um espaço de acesso às tecnologias e inclusão.

 

Eunice Rodrigues Guedes

“Para acolher a diversidade e as múltiplas formas de aprender, a escola deve assegurar a participação e ao mesmo tempo compreender cada estudante. Todos eles têm características, talentos e interesses únicos, que devemos respeitar”, diz a professora, quando perguntada sobre o papel da inclusão na educação.

No início de 2020, Eunice trouxe para sala de aula uma atividade para trabalhar habilidades ligadas à tecnologia, mas sem fazer uso de recursos digitais. A ideia era que os estudantes do 6º e 7º ano construíssem, com a ajuda das famílias, robôs feitos de materiais recicláveis, que representassem alguma solução para os problemas da sociedade atual. Veja nesta matéria como a educadora utilizou as tecnologias como ferramentas de inclusão e transformação social!

Educar é incluir. É aproximar. É acreditar. É realizar. É transformar!

O compromisso com a educação é de todos nós. Em um momento em que a pandemia nos desafia diariamente, esse compromisso se torna ainda maior.
Para chegar mais perto, usamos a tecnologia como meio para transformar a educação e esse é um papel de estudantes, professores, gestores, famílias e sociedade.
No dia 28 de abril comemoramos o Dia da Educação. Ao longo desse mês, homenagearemos esses atores da comunidade escolar.
Fiquem de olho em nossos canais e acompanhe nossas ações por meio da hashtag #EducandoParaTransformar

Educar é incluir: professores que trabalham pela transformação dentro de suas comunidades
Educar é incluir: professores que trabalham pela transformação dentro de suas comunidades