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Créditos: Divulgação

Yuri Kiddo, do Promenino com Cidade Escola Aprendiz

Dividir o dia entre os estudos e o trabalho pode ser uma rotina puxada para os adultos, ainda mais para os adolescentes que, por vontade própria, já buscam alternativas a fim de ingressar no mercado de trabalho. Mas se feito nas condições adequadas, conforme garante a Lei da Aprendizagem, a dupla jornada traz benefícios para jovens a partir dos 14 anos, que incluem desde a educação complementar à preparação para atuar profissionalmente.

É o caso do estudante Hugo Dias, de 16 anos, que se sente um “beneficiado”. Há quase dois anos, trabalha como adolescente aprendiz na Caixa Econômica Federal. “O programa é excelente,  uma ótima oportunidade, principalmente para quem não tem tanto poder econômico”, explica o jovem morador de Caicó, município do Semiárido brasileiro, localizado no Rio Grande do Norte.

O estágio, de 20 horas por semana, lhe dá a oportunidade de aprender desde contabilidade e matemática financeira até atendimento a diferentes tipos de público. “São coisas importantes para o meu futuro”, afirma Hugo. O jovem aprendiz ainda deve fazer um curso complementar na área do estágio. Por isso, o caicoense tem aulas uma vez por semana sobre os fundamentos técnicos bancários, oferecidas pelo Centro de Integração Empresa Escola (CIEE).

Decidido a atuar na área da medicina, Hugo ainda precisa terminar o ensino médio e passar no vestibular. Para tanto, ser jovem aprendiz já o auxilia. “No Enem, por exemplo, vou precisar de matemática, esse reforço está garantido. Além disso, alguns assuntos dados em sala de aula eu já aprendi antes no curso ou no estágio.”

“A aprendizagem faz o aprendiz”

Como no Brasil o trabalho é totalmente proibido até os 13 anos de idade, a aprendizagem é uma das maneiras de se enfrentar o trabalho infantil e garantir educação em tempo integral e qualificação profissional. Criada em 2000, a contratação tem um prazo determinado de, no máximo, dois anos. Para participar, os adolescentes e jovens entre 14 e 24 anos precisam ter concluído ou estar cursando o ensino fundamental, o ensino médio ou superior.

Com o objetivo de esclarecer dúvidas e falar sobre a importância do trabalho adolescente protegido, no dia 10 de setembro, 136 adolescentes e jovens de Caicó participaram da oficina “A aprendizagem faz o aprendiz”. A atividade fez parte das ações da campanha É da Nossa Conta!, realizadas na cidade pela Fundação Telefônica Vivo em parceria com ONG Aldeias Infantis SOS Brasil.

Hugo estava lá, assim como o estudante Heitor Dias, de 21 anos, aprendiz há um ano no Educandário Santa Teresinha, na cidade norte-rio-grandense. Heitor quer ser professor. “Estagiar na escola é um privilégio, me fez crescer muito e abriu caminhos para a minha formação pedagógica com professores, além de eu ver na prática o que estudo.”

O jovem cursa filosofia na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) no período noturno. Divide o dia entre o estágio, três vezes por semana, e o curso do Programa Aprendizagem Comercial, do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).“Sem dúvida, ser jovem aprendiz me ajuda bastante, desde aprender a otimizar meu tempo até dialogar e me preparar emocionalmente para lidar com o diferente. Acrescentou muito à minha vida pessoal e profissional”, afirma Heitor.

Vantagens para o empregador

Não só os garotos e garotas inscritos no programa de aprendizagem têm vantagem, mas também quem os contrata. Além de o custo do aprendiz ser menor para a empresa, o empregador poderá manter aqueles que se destacam depois do término do programa.

Pelo menos é o que pretende o dono do Supermercado União, Lusio Lopes, que tem oito aprendizes em seu quadro de 53 funcionários. “A maioria de nós, empresários, tem a intenção de contratá-los como funcionários, pela experiência que eles adquirem e também pelo investimento que fazemos”, afirma.

Entre as funções de operador de caixa e embalador, os adolescentes – de 16 e 17 anos – se revezam quatro horas por dia no tradicional supermercado, há mais de 30 anos na cidade. “Mas tem semana que alguns não vêm, por causa de ações na escola ou do curso de aprendizagem. Então, fazemos um esquema rotativo, priorizando os estudos deles”, explica Lopes.

Outra vantagem, de acordo com o empresário, é que os aprendizes aplicam o conhecimento do curso no trabalho. “Eu vejo que dá para atrelar uma coisa à outra. Quando estudam, eles não vêm para cá e, quando fazem o curso, aprendem como atender o cliente, sinalizar a loja, noções de informática, entre outras coisas. E eu também ganho.”

Localizada a 256 km da capital Natal, o município de Caicó tem uma população de 62.709 habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012. Do total, mais de 20 mil são crianças e adolescentes e 55% delas estão em situação de trabalho infantil.

Entre a escola e o trabalho: Lei de Aprendizagem auxilia nos estudos e prepara adolescentes e jovens para mercado de trabalho
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