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As celebrações, conhecidas por roupas e comidas típicas, podem nortear práticas pedagógicas e despertar curiosidades sobre contexto histórico e cultura popular

Com a chegada do mês de Junho começam as expectativas pelas cantigas, danças de quadrilha, comidas e roupas típicas das Festas Juninas. Mas, o que exatamente comemoramos nesta época?

Embora seja celebrada nas cinco regiões do Brasil, a festa de configuração cristã, tem o Nordeste como principal referência, especialmente os Estados de Pernambuco e Paraíba. As comemorações homenageiam os dias de três santos católicos: Santo Antônio (13 de junho), São João Batista (24 de junho) e São Pedro (29 de junho).

É importante ressaltar que antes do cristianismo, outras religiões já faziam comemorações nesta mesma época do ano. Em terras brasileiras, os indígenas também tinham costume de fazer rituais durante o período para marcar o início do inverno.

Por conta dessa origem multicultural, que fundiu tradições, a festa popular se apropriou de certos costumes e ganhou os contornos característicos que tem hoje, tornando-se também um rico potencial de aprendizado e desenvolvimento de práticas pedagógicas no ambiente escolar.

Potencial pedagógico

As escolas costumam organizar eventos, contando com a presença das famílias para desfrutar das atividades temáticas durante um único dia. Mas para além da celebração, é possível explorar  a comemoração popular mesclando conhecimentos às atividades de decoração e exposição de projetos, criando uma oportunidade de celebrar o evento e ainda desenvolver competências cognitivas.

Os estudantes podem, por exemplo, entender que as vestimentas usadas em Festas Juninas, e inspiradas na vida na roça, são produto de um contexto histórico e geográfico que representava 70% da sociedade brasileira que vivia no campo até meados do século XX. Ou que a maioria das comidas é feita a partir do milho, pois há um sentido de agradecimento à colheita do meio do ano.

Pensando nesse potencial pedagógico, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Luiza Fornasier Franzin se propôs a envolver os estudantes na compreensão de todos os elementos que compõem as celebrações juninas.

“A festa não se resume só em ir até lá e dançar a quadrilha. Tem a ver com o construir junto, a participação e o envolvimento com a cultura popular”, conta Eliana Galante, supervisora da escola localizada em Águas de São Pedro, no interior de São Paulo.

Valorização da cultura popular

A valorização da cultura popular é marca registrada da escola Maria Luiza Fornasier Franzin, envolvendo os estudantes com projetos temáticos. Só no mês de junho, três eventos marcam a participação estudantil na instituição: a Feira Gastronômica, a Festa Junina e o Show de Talentos, que marca o fim do semestre.

Com o intuito de trazer um ponto de vista diferente, a supervisora e professora Eliana Galante relacionou as celebrações juninas à Arte “Naïf” (termo que significa ingênuo, em francês) – uma forma de manifestação cultural que desconsidera regras e técnicas estilísticas.

A ideia é trabalhar com as turmas o conceito desse tipo de expressão, que dialoga com a abordagem colorida estampada nos desenhos e bandeiras das Festas Juninas.

“O grande foco são as narrativas: através de textos, músicas, desenhos, vídeos e cartões postais, as crianças se conectam com os temas relacionados à arte e a festa. A intenção é expor o registro destes trabalhos”, explica a educadora Eliana.  “As crianças entenderam como a festa junina é construída: o dia, a data, a origem, as danças populares, a arte, todos os elementos que a compõe.”

Os alunos do Pré ao 9º ano, do Ensino Fundamental 1 e 2, estão trabalhando desde o mês anterior em projetos associados à festa. Além das pesquisas e exposições, as crianças também ficam responsáveis por confeccionar artefatos para a decoração e ensaiar as danças, nas aulas de Educação Física. Os projetos são realizados na parte da tarde, aproveitando as oficinas que complementam o currículo regular da grade.

Sensação de pertencimento

Outra iniciativa, realizada com uma das turmas de 1º ano da EMEF Maria Luiza Fornasier Franzin, foi a produção de convites. A professora Carla Roque trabalhou o gênero textual com as crianças, ensinando a função de um convite, as ocasiões em que é usado e depois para que pensassem juntos em uma inspiração usando os elementos da Arte Naïf. Ao todo, 286 convites foram distribuídos para toda a escola.

“Acho muito significativo mostrar para eles que existem outras formas de comunicação, e também de passar o conteúdo na escola”, conta Carla Roque. “Eles gostam muito de colorir e da própria comemoração da festa junina, então isso faz com que as crianças fiquem interessadas em participar”.

O coordenador da escola, Marcos Joel de Jesus, descreve o evento em grandes proporções e diz que o objetivo é sempre envolver a comunidade escolar. Ainda assim, acrescenta que a motivação e o orgulho vêm antes da celebração.  “O objetivo é criar essa ideia de pertencimento. A festa não é da escola, é deles. Além de concretizar o aprendizado, é uma forma dos estudantes passarem para a comunidade o que estão fazendo aqui dentro”, finaliza.

Festa Junina em sala de aula

Para quem quer ir além das festas tradicionais, há uma série de materiais disponíveis para a construção de práticas pedagógicas.

Nova Escola disponibiliza um Plano de Aula específico para trabalhar a cultura nordestina, valorizando elementos regionais.

Já no Escola Digital você encontra mais de 50 Objetos Digitais de Aprendizagem (ODAS) gratuitos para trabalhar a temática com os estudantes. É possível filtrar o conteúdo por disciplina, tipos de mídia, acessibilidade, habilidades alinhadas com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), dentre outras opções.

Festas Juninas ensinam sobre coletividade e diferenças culturais
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