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Dirigentes da educação de todo o país foram convidados a pensar sobre os desafios que a pandemia trouxe, assim como soluções para enfrentá-los. Temas como ensino híbrido, alfabetização e financiamento da educação foram abordados.

Imagem mostra apresentadora vestindo branco em um evento online. Ao fundo, se vê o logo do 8º Fórum Nacional Extraordinário – Desafios para garantir o direito à educação em tempos de e pós pandemia

O fechamento das escolas, como medida de isolamento social para conter a pandemia do coronavírus marcará o ano de 2020. As redes de ensino desenvolveram, de forma emergencial, estratégias de ensino remoto, o que expôs as desigualdades tecnológicas entre os alunos. Para discutir este e outros efeitos da pandemia na educação pública, a Undime, e suas seccionais, realizaram o 8º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação, entre os dias 7 a 11 de dezembro de 2020.

Ao longo dos cinco dias de programação, o evento, realizado de maneira virtual, abordou  assuntos como ensino remoto, financiamento da educação em 2021, volta às aulas, alfabetização e educação de jovens e adultos.

Durante o Fórum, também foram organizadas conferências e mesas redondas em um espaço virtual destinado aos estandes de instituições parceiras como Fundação Telefônica Vivo, Unicef, Itaú Social, Instituto Natura, Fundação Lemann, Instituto Alana, Unesco e Sebrae.

É o quinto ano consecutivo que a Fundação Telefônica Vivo participa como apoiadora. O estande da instituição sediou palestras sobre o ensino híbrido, inovação educativa e acolhimento no retorno às aulas.

“É um ano de fundamental importância da Undime. Não é possível articular uma política pública que atenda as diferentes complexidades deste momento sem uma união de esforços. E o espaço deste Fórum é fundamental para nós debatermos os critérios de retorno e como vamos acolher os nossos estudantes”, afirma Americo Mattar, diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo, na conferência de abertura.

Financiamento da educação como prioridade

Neste ano, o novo Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) foi aprovado no Congresso, tornando-se constitucional. “Isto representa um novo capítulo de maior cooperação federativa e de equidade na educação brasileira”, comemora Lucas Hoogerbrugge, líder de Relações Governamentais no Todos Pela Educação.

Contudo, este é apenas o início. Considerado o principal mecanismo de financiamento da educação básica no país, o Fundeb agora precisa ser regulamentado. O texto-base foi aprovado na Câmara dos Deputados, mas precisa ser analisado pelo Senado.

Durante o Fórum, Lucas Hoogerbrugge apresentou as perdas projetadas para a educação, que passam por três cenários: a redução de -5%, -10%, ou -15% no montante vinculado a despesas educacionais nas redes estaduais e municipais. “O Fundeb, para nós, é uma grande saída para esta crise”, afirma. “É preciso urgentemente regulamentar em 2020 para não correr risco de paralisia do Fundo”, afirma.

Nalu Farenzena, presidente da Associação Nacional de Pesquisadores em Financiamento da Educação, Fineduca, apresentou duas medidas para minimizar possíveis efeitos da redução de receitas da educação. A primeira seria a imediata complementação da União ao Fundeb, e a segunda o piso mínimo emergencial para a educação em 2021, uma proposta da Coalizão Direitos Valem Mais.

 

Ensino híbrido no volta às aulas

O ensino híbrido – mistura de componentes pedagógicos presenciais e on-line, tornou-se uma possibilidade real a partir da popularização do acesso à internet e da evolução das tecnologias digitais e foi potencializado durante esse período.

Cecilia Motta, presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Educação – Consed, ressalta a reinvenção dos professores durante a pandemia, mas acredita que será preciso pensar em uma política de educação continuada para o próximo ano. “As crianças irão chegar na escola de forma diferente. Se o professor apenas informar o aluno, isto não garante conhecimento”, afirma.

Lilian Bacich, cofundadora da Tríade Educação, coordenadora do curso on-line e do livro ‘Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação’, apresentou, no estande da Fundação Telefônica Vivo, as possibilidades que o ensino híbrido traria para este novo contexto.

“A ideia do ensino híbrido não se refere somente ao remoto. Estamos falando de um modelo que preza pela diferença e pela equidade, e também pela importância das tecnologias fazendo parte da realidade dos alunos”, explica Lilian. Ela sugere que se os alunos enfrentam dificuldades de conexão em casa, as escolas devem oferecer estes meios, para garantir equidade – a partir de um ‘hub’ de conexão, por exemplo.

Geovana Lunardi, presidente da ANPEd – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, também ressalta que as condições de aprendizagem e ensino se modificam com o ensino híbrido. “A educação está atrelada a outros direitos, como moradia, alimentação e saúde. A escola consegue constituir condições igualitárias entre estudantes, como o acesso a tecnologia, que é desigual”, afirma.

João Alegria, Gerente Geral do Laboratório de Educação da Fundação Roberto Marinho, comenta que conectividade é um conceito muito mais amplo do que simplesmente ligar um aparelho a internet. “Eu posso usar bluetooth, ou NFC (tecnologia que permite o pagamento por aproximação). Tudo isso é conectividade. Quando pensamos unicamente na internet a experiência de ensino e aprendizagem fica reduzida”, afirma João.

Educação inclusiva no ensino híbrido

Rodrigo Hübner Mendes, presidente do Instituto Rodrigo Mendes, participou da conversa “Garantia de uma educação inclusiva em um processo de ensino híbrido”. Ele afirma que é importante pensar em como garantir que este modelo não prejudique o convívio entre os estudantes, além de garantir que alunos com deficiência tenham um tempo ampliado de execução das tarefas, no ensino remoto, em comparação com os outros estudantes. “Se não houver isto, há o risco de serem afastados”, afirma.

Inovação educativa

“É preciso preparar o futuro para a chegada dos nossos alunos, assim como preparar os alunos para o futuro”. Foi com esta frase que Priscila Santos, supervisora pedagógica no CIEDS, iniciou o bate-papo sobre Inovação Educativa no estande da Fundação Telefônica Vivo.

Priscila falou sobre algumas previsões para o futuro e ainda apresentou o estudo Visões de Futuro + 15, desenvolvido pela Fundação desde 2014 para identificar tendências mundiais.

De acordo com a especialista, a inovação educativa é um processo multifacetado e não linear de transformação. E a criatividade é um fator importante da inovação, mas não é algo inato. “Para construir o futuro esperado, é preciso planejamento. É necessário ter a flexibilidade de reconstruir de acordo com os percalços que encontramos no caminho”, afirma.

 

Volta às aulas

O tema da volta às aulas foi destaque em várias palestras, com debates, apresentações e estratégias para promover o retorno de maneira segura. Apesar de diferentes pontos de vista, os especialistas concordam que a situação é complexa e precisa levar em consideração os contextos regionais.

“Precisamos garantir que nenhum aluno se perca na volta às aulas. No processo de retomada, nenhum aluno deverá ficar pelo caminho”, afirma Luiz Miguel Martins Garcia, presidente da Undime e Dirigente Municipal de Educação de Sud Mennucci/ SP.

Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil, vê a abertura das escolas do Brasil como uma prioridade. Para a especialista, a abertura precisaria ser realizada de forma adequada, dividida por turnos, utilizando o sistema híbrido, e seguindo todos os protocolos sanitários. “Nós estamos falando de uma volta de acordo com uma nova necessidade”, enfatiza. “O fechamento das escolas traz um impacto profundo nas crianças e adolescentes. Há impacto na saúde mental, o aumento da violência doméstica. A escola também tem o papel de acolhimento, proteção e de denúncia sofridas por crianças em casa”, finaliza.

Fórum Undime discute os efeitos da pandemia na educação pública
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