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Maria Paula Vieira se engaja em ensaios fotográficos com mulheres consideradas "fora do padrão'' pela sociedade. Ativista da Pessoa com Deficiência, ela também produz conteúdos sobre diversidade e inclusão em suas redes sociais

#Acredita#Estudantes

Imagem mostra a jovem fotógrafa e modelo usando um vestido xadrez, sentada em uma cadeira de rodas em um local com plantas

Nome: Maria Paula Vieira
Idade: 28 anos
Cidade/Estado: Santo André – SP

Jornalista, fotógrafa e modelo. Criadora de conteúdo digital e ativista da Pessoa com Deficiência (PCD), lutando por maior representatividade e inclusão. É assim que a jovem de 28 anos, Maria Paula Vieira, se apresenta.

Moradora de Santo André, município da Grande São Paulo, Maria é uma das primeiras fotógrafas cadeirantes do Brasil a se consolidar no mercado artístico. Entre seus últimos projetos está a exposição “Mães Invisíveis“, que percorreu as estações do metrô da capital paulista trazendo visibilidade às mães que têm deficiência. Atualmente, ela é curadora e fotógrafa da exposição “Elas por Elas“, que mostra o olhar sobre a diversidade das mulheres brasileiras.

A fotógrafa tem uma deficiência desde os três anos de idade, devido a uma doença genética nunca diagnosticada. Na infância, chegou a usar órteses – aparelhos que ajudam a alinhar determinadas partes do corpo, auxiliando funções de um membro – além de andador e apoios. Aderiu à cadeira de rodas no início da adolescência.

“Foi só a partir disso que me reconheci enquanto uma mulher com deficiência e percebi o quanto precisaria lutar pelos meus direitos”, conta.

Mesmo trabalhando como modelo, ela comenta que sua relação com a moda sempre foi atravessada por um “apagamento”. Afinal, ao olhar os catálogos das lojas, não percebia a inclusão. Não via manequins com as quais se identificava, assim como não conseguia perceber como a roupa poderia vesti-la, já que a modelo nunca é fotografada sentada.

Hoje, Maria luta para mostrar as potências e beleza das pessoas com deficiência, mesmo sentindo que diversos espaços na indústria da moda lhe são negados.

“Para ser inclusiva, a moda precisa chegar a todos os corpos e peles”, explica a ativista.

A procura por opções mais flexíveis e confortáveis de roupas para pessoas com deficiência é crescente. Mas, infelizmente, a oferta ainda é pouca. Para que PCDs não sejam deixados à margem dessa indústria, Maria defende que exista representatividade em todos os seus processos: da concepção ao design do vestuário, passando pela confecção, até à escolha do modelo que veste a peça. “É importante criar roupas modernas e descoladas com acessibilidade real”, afirma.

Em seu perfil no Instagram, a jovem fala sobre empoderamento, feminismo e autoestima. “A produção de conteúdo foi algo inesperado. Eu gostava de me comunicar no Instagram, contar coisas do meu dia a dia e algumas pessoas foram chegando”. Ela só começou a levar a sério o seu lado como influenciadora digital em 2019, ao perceber que conseguiria se comunicar com diversas pessoas sobre temas como capacitismo, inclusão e diversidade.

 

O quanto a educação foi importante na sua trajetória para chegar até aqui? 

A educação é essencial para nos desenvolvermos como seres humanos. Com ela temos mais oportunidades, entendimento de diversos assuntos para tomar melhores decisões, e sermos profissionais mais capacitados. A educação foi muito importante para eu chegar aonde cheguei. Meu sonho era que todo mundo pudesse ter oportunidades como as que tive e outras ainda maiores, porque vejo que ainda me faltou muito. A educação, de modo geral, tem muito a evoluir para ser igual e de qualidade para todos. Imagina o que eu e tantas outras pessoas não alcançaríamos se tivéssemos tido mais oportunidades?

 

Qual a importância da escola inclusiva para todos? 

Quando falamos de inclusão, falamos sobre incluir em todos os espaços. A escola é uma das nossas maiores bases, por onde iniciamos muitas coisas que são levadas para a vida adulta. É o nosso primeiro local de convivência após o núcleo familiar. Não existe lugar melhor para aprendermos sobre diversidade e inclusão e levarmos isso para os ambientes social e profissional. Para crianças com deficiência, estar em uma escola regular, com as mesmas chances e oportunidades que outras crianças, é de extrema importância para o ensino, convívio, direito básico e para o futuro.

 

Quais conselhos daria para um jovem que está no Ensino Médio e enfrenta desafios ou tem questionamentos sobre o seu futuro? 

O futuro reserva muitas surpresas e oportunidades. Isso é assustador, mas também pode ser grandioso! Podemos aprender novas profissões, adquirir conhecimentos, criar experiências para descobrir o quão somos capazes, apesar de tantas vezes acreditarmos que não. Quando houver desafios ou dúvidas, procure pessoas em quem confie para conversar.

 

Para você, acreditar na educação é… 

Essencial. A educação é transformadora e a base da mudança. Quando pensamos em evolução e desconstrução da sociedade, a escola está muito ligada, principalmente nas crianças que são o futuro para uma sociedade melhor.

 

Acreditar em si mesmo é… 

Muito difícil em uma sociedade que está sempre nos oprimindo. Mas temos que lembrar das nossas capacidades, da nossa essência e dos nossos princípios. Somos e podemos ser incríveis, fontes de inúmeras coisas transformadoras.

Fotografia, moda e inclusão na busca por representatividade
Fotografia, moda e inclusão na busca por representatividade