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Leia o texto a seguir e entenda o conceito do Trevo e as suas relações com a gestão organizacional. Caso queira ir direto para os textos, clique aqui.

Gestão de organizações da sociedade civil
O presente texto busca construir uma imagem do desafio que qualquer gestor – seja voluntário ou remunerado – de uma organização social enfrenta.

Colocando-se no lugar de um líder

É preciso entender qual é esse desafio de dirigir, coordenar, gerir, gerenciar, administrar, enfim, cuidar do desenvolvimento de uma instituição que vive de doações, de repasse de impostos de governo, que não visa lucro, que por si só pode não produzir receita.

Gerir uma entidade social tem algumas características:

  • É uma atividade contínua. Tal como o tubarão nunca pode parar de nadar, é uma tarefa permanente. Sempre precisa ter alguém administrando, de olho, responsável. Todo dia há coisas importantes a serem feitas, desde pagar contas, contratar pessoas, telefonar para a Secretaria, visitar doadores, conversar com as cozinheiras, falar com o contador, resolver desentendimentos, e daí por diante.
  • É uma função dinâmica: é difícil um dia ser igual ao outro. Um dia um menino se machuca e tem que ser levado para o hospital, no outro tem a visita do pessoal da Fundação, no outro tem que fazer os relatórios, no outro tem que prestar contas, no outro tem que reunir com os professores, no outro tem que atender ao funcionário, no outro tem que decidir sobre o conserto do carro. Algumas vezes tudo acontece ao mesmo tempo.
  • É um papel diversificado: tem-se que lidar com muitas coisas diferentes – há que se cuidar das pessoas, das coisas, do equipamento, das contas, dos parceiros, da diretoria, das crianças, dos pais. Não se pode fazer só um tipo de coisa, são sempre várias.
  • É um desafio complexo: uma questão interfere na outra. Exige manter o todo na consciência e cuidar de cada parte, ao mesmo tempo. Se não houver reunião com as professoras, os pais vão continuar reclamando. Se não for ao encontro com os doadores, pode não vir o dinheiro que se precisa. Se gastar no conserto do carro, pode faltar para pagar os salários depois. Tudo isso traz muita tensão, preocupação e cansaço. A responsabilidade é muito grande: qualquer equívoco freqüentemente pode gerar complicações.
  • É uma tarefa difícil dos outros entenderem: tudo tem que ser muito explicado, transparente. Qualquer dúvida é suficiente para as pessoas virem questionar, ficar insatisfeitas, aparecer disse-que-disse. Porque qualquer erro sempre afeta alguém. Em geral, um erro de gestão ou de liderança sempre tem conseqüência direta para alguma pessoa ou grupo de pessoas dentro ou fora da entidade.

A figura abaixo expressa todas as características ditas há pouco:

Essa figura é conhecida como “trevo”, pois ela lembra um trevo de quatro folhas. Ela…

É contínua: ao desenhar, o lápis fica girando sem parar, tal como em um círculo, como se estivesse em constante movimento.

  • É dinâmica: ao tentar fazer duas vezes, cada hora sai de um jeito diferente, como se cada imagem tivesse um caráter único.
  • É diversificada: tem no mínimo cinco espaços diferentes, que podem ser pintados de cores diferentes, bem como ter tamanhos diferentes, como se fosse composta por cinco partes.
  • É complexa: é um desenho difícil de fazer, sendo quase um desafio conseguir uma figura simétrica, indicando que há algum equilíbrio em jogo.
  • É pouco comum: não é uma figura que se vê comumente, sugerindo que as pessoas podem estranhar num primeiro momento.

Evidentemente que esta figura é uma simplificação e é extremamente simbólica. Certamente na prática o que existe é algo vivo, dinâmico, multicolorido e pluridimensional. Talvez a melhor forma de expressar isso seja colocando cores na imagem:

Os 5 campos essenciais

Respeitando estas características listadas acima, a próxima pergunta é: o que “recheia” o desenvolvimento de uma iniciativa social? Com quê se tem que lidar no dia-a-dia de uma OSC? Em que campos se é requisitado a atuar?

A sociedade e os serviços

Toda entidade social tem seu “público-alvo”: crianças, adolescentes, adultos, idosos, portadores de necessidades especiais, homens de rua, entre outros. É preciso conhecer essas pessoas, esses grupos, conhecer suas reais necessidades, entender quais são os problemas que têm, como vivem, quem são, porque estão nestas condições, como é sua história e daí por diante. Eles são a razão-de-ser, a razão de existir de uma instituição.

Isso precisa ser entendido não isoladamente, mas no contexto social do momento.

Uma iniciativa social existe para tratar de questões da sociedade, porque existem necessidades a serem atendidas, porque existem carências, “injustiças”, desequilíbrios, conflitos, paradoxos que podem afetar a qualidade de vida hoje e no futuro. E existe também para construir uma nova sociedade, antecipar problemas, preparar e conduzir o mundo para um novo patamar de vida e convivência. Um líder de uma iniciativa social lida, diretamente, diariamente, com a sociedade. Não é um observador passivo, mas, antes, um agente ativo de seu desenvolvimento.

Portanto, esse é o primeiro dos campos de atuação numa iniciativa social: a Sociedade. Pode-se assumir, simbolicamente, que o vermelho no “trevo” representa a Sociedade.

Por outro lado, toda organização social representa um grupo de pessoas que resolveu fazer alguma coisa em função do quadro atual da sociedade. Um grupo de pessoas que, por várias razões, reconheceu uma determinada necessidade e decidiu que queria ajudar, por menor que fosse essa ajuda. E escolheu o que fazer: ajudar crianças pobres, educar adolescentes, acolher homens de rua, seja lá o que for. Esta ação na verdade é o serviço que a entidade presta. Uma iniciativa social só se torna efetiva quando une ação sobre a realidade.

Este é o segundo campo de atuação: os Serviços que são prestados, simbolicamente representados pela cor azul no “trevo”. Por “Serviços” pode-se entender os programas, projetos, atividades e eventos, por mais ou menos organizados que sejam. Cada entidade oferece um conjunto específico de Serviços à Sociedade.

Estes serviços precisam ser organizados e coordenados, pois é somente através dos serviços que a entidade produz resultados. Muitas vezes as mesmas pessoas prestam diretamente os diferentes serviços: dão aulas, fazem comida, limpam as salas, atendem telefone, escrevem apostilas. Muitos líderes já foram educadores, assistentes sociais, mães, professores – sabem como é gostoso ver um sorriso feliz, uma criança bem nutrida, um adolescente formado: isso é resultado, e o resultado é que gera satisfação. O desafio é levar a entidade a produzir resultados… na sociedade!

Os recursos e as pessoas

O terceiro “campo” em que se é requisitado a atuar é o dos Recursos, que está simbolizado no trevo com a cor azul clara. Neste campo “Recursos” estão incluídos: prédios, carros, computadores, dinheiro, insumos, equipamentos, material didático e tudo aquilo que vai ser utilizado, consumido ou repassado para a sociedade na prestação de serviços da entidade. É preciso controlar o uso dos recursos, aplicar os recursos no trabalho, mas também ir em busca daquilo que ainda não se dispõe.

Os recursos funcionam como infra-estrutura, base para que a entidade atue na sociedade e alcance aquilo a que se propõe. Eles têm uma qualidade especial, que às vezes irrita quem está no dia-a-dia: eles ajudam a manter os pés no chão, exigem objetividade, se pensar no que é concreto, possível, não só no ideal. Pode-se dizer que uma das características da entidade social é que os recursos tendem a ser sempre menores do que as necessidades.

Finalmente, para prestar serviços e contribuir para o desenvolvimento da sociedade, além de recursos é preciso de gente: pessoas, talentos, capacidades. Esse é o quarto campo básico que se tem que saber administrar: as Pessoas. – representadas no “trevo” com a cor verde.

Neste campo estão a criatividade, o potencial, a experiência, o conhecimento, a maturidade da organização. Estão também os conflitos, as relações, as amizades, o “clima” entre as pessoas, a equipe, a liderança, a disputa de poder.

O desenvolvimento de uma iniciativa guarda estreita relação com o desenvolvimento das pessoas que dela fazem parte. É através das pessoas que ocorre o aprendizado da organização. É pelas pessoas que a entidade cresce, muda, evolui, se transforma. Saber lidar com esses processos implica, não resta dúvida, saber lidar com pessoas.

A OSC pela ótica do modelo Trevo

Portanto, toda OSC é produto da interação e do equilíbrio entre pelo menos 4 grandes “campos de força”:

A configuração final desta interação é produto da atuação humana, mais ou menos consciente, que ocorre no dia-a-dia.

Existe um quinto campo

As pessoas que “carregam” uma organização da sociedade civil e que ocupam o papel de líderes (sejam diretores, conselheiros, superintendente, presidente, coordenadores, gerentes) estão no centro de tudo. Elas têm a responsabilidade de zelar pelo movimento e pelo equilíbrio do todo, de tal forma que a entidade possa conseguir o melhor resultado possível para a sociedade.

Esses grupos não estão lá “em cima” no organograma, no “alto da pirâmide”, separados da vida da entidade; são aquelas pessoas que estão no centro de tudo, sabendo o que acontece, criando condições, dirigindo, governando, acompanhando, participando, coordenando, dividindo, delegando.

O grupo dirigente tem um papel vital na entidade e constitui o quinto “campo de força” dentro do “trevo”, representado pela cor amarela. Este papel pode estar concentrado na mão de uma só pessoa, o fundador, no começo da história da organização. Mas com o passar do tempo devem surgir outras pessoas.

Os grupos dirigentes devem estar continuamente se desenvolvendo e talvez não devam ser os mesmos para sempre. Como indica Peter Drucker, esses grupos são visíveis (justamente por estarem “no centro”) – todo mundo vê o que eles fazem e não fazem, não importa onde eles estejam.

É preciso estar atento a contribuir para o desenvolvimento de um grupo dirigente. Para avaliar se isso está sendo feito pode-se perguntar: “Como tem sido nosso trabalho conjunto? O que mudou nos últimos 12 meses? Como está a composição do nosso grupo? Como está a participação dos usuários finais? Quais cursos ou seminários participamos juntos nos últimos tempos? Como está nossa comunicação? Como está o nosso relacionamento? Quando temos tido tempo de falar sobre isso? De que “campos” estamos esquecendo? Em que “campos” estamos realmente bem? Se continuarmos desse jeito, como será a organização que teremos? Que expectativas temos um do trabalho do outro? Quais as responsabilidades do Conselho? Quais as responsabilidades da Diretoria? Que Conselho e que Diretoria queremos para nossa entidade? Quais competências precisamos desenvolver? Como está nosso trabalho como grupo, como equipe?”.

Geralmente dirigente tende a ouvir mais dirigente. Por isso há uma responsabilidade de trabalhar os pares e de cuidar do próprio desenvolvimento. Um perigo é o dirigente se dedicar tanto à causa, à entidade, à captação de recursos, ao relacionamento com a Prefeitura, a mobilizar a comunidade, e acabar esquecendo de cuidar de si mesmo. Como diz a história, o lenhador precisa de um tempo para cortar a árvore e um tempo para afiar o machado.

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Concepção: Instituto Fonte

Gestão de Iniciativas Sociais
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