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Através da rede social Tik Tok, os cientistas saem do laboratório para produzir conteúdo acessível para trabalhar a confiança da sociedade civil em relação às vacinas.

#Educação#EducaçãoMidiática

Imagem mostra cientista observando um frasco de vacina

Não havia como prever, no final do século XIX, que o imunizante estudado por Louis Pasteur ganharia tamanho significado na história da humanidade. Ao longo dos séculos, doenças como sarampo, poliomielite e epidemias como a Sars e Influenza foram erradicadas por conta das vacinas. Mas com a chegada da pandemia de coronavírus, a circulação de informações sobre o processo por trás de sua produção ultrapassou os laboratórios de pesquisa.

Ao mesmo tempo que esse movimento contribui para aproximar a comunidade científica da população, a quantidade de informações circulando não contempla a complexidade do assunto, gerando um volume considerável de notícias falsas. Dúvidas sobre a eficácia das vacinas, reações adversas e até mesmo sobre o interesse de governos e empresas são colocadas e respondidas na mesma velocidade, muitas vezes sem verificação de fontes oficiais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) é a principal referência em saúde global e estima que cerca de 3 milhões de mortes são evitadas pelas vacinas todos os anos. Caso a cobertura vacinal alcançasse índices ideais, esse número somaria mais 1,5 milhão de pessoas. Ainda assim, a hesitação da população em tomar vacinas foi considerada uma das dez ameaças à saúde mundial. Os efeitos já começaram a aparecer: houve um aumento de 300% dos casos de sarampo apenas no primeiro trimestre de 2019.

Com o objetivo de  combater a desinformação e estimular a aproximação entre sociedade civil e Ciência, a Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com o TikTok,  lançou uma iniciativa global e voluntária que reúne cientistas da linha de frente nas pesquisas sobre vacinas e assuntos relacionados a Covid-19. A Equipe Halo, como é chamada no Brasil, usa uma hashtag na rede social para explicar os processos de forma acessível e descomplicada.

“A desinformação minou a confiança das pessoas na vacina e a #EquipeHalo pretende recuperá-la. São pessoas incríveis fazendo a Ciência ser parte de uma colaboração global. Devemos comemorar o fato destes profissionais nos ajudarem a colocar um fim nesta terrível pandemia”, afirma Melissa Fleming, sub-secretária-geral de Comunicação Global da ONU. A ação ainda conta com o apoio do Verificado, Vaccine Confidence Project e GAVI – Aliança das Vacinas.

 

Vacinação e cidadania

Qual é a rotina de um cientista que trabalha com as pesquisas de vacinas? Os “guias” escolhidos para representar os cinco países mapeados pela iniciativa, se colocam à disposição para responder esta e outras perguntas relacionadas ao vírus e a produção dos imunizantes.  Reino Unido, Estados Unidos, África do Sul, Índia e Brasil  formam o Team Halo, que funciona como um lembrete sobre a importância da cooperação internacional para combater o vírus.

Através de grupos on-line, os cientistas trocam informações, pesquisas, artigos e até mesmo ideias de formatos para comunicar os dados e descobertas de maneira criativa por meio dos vídeos no Tik Tok.  Além da troca de conhecimento internacionalmente, há também os grupos locais, que levam em consideração as particularidades de suas comunidades.

Como o trabalho é voluntário, a produção dos conteúdos é feita de acordo com a disponibilidade dos pesquisadores, mas já tem gerado bons resultados. Só no Brasil, os vídeos produzidos pelos guias já somam 20 milhões de visualizações. Isso sem contar o compartilhamento através de outras redes sociais e o canal sempre aberto de interação com o público.

A mensagem defendida pelo grupo é uma só: Optar por tomar a vacina — sabendo como ela é feita e quais são seus efeitos no sistema imunológico — é um ato de cidadania, que visa não apenas a proteção individual mas também a coletiva. Um vírus só é totalmente controlado se atingir imunidade de grupo e evitar uma nova onda de contágio.

Do sequenciamento genético à divulgação científica

Imagem mostra Jaqueline Goes de Jesus em um laboratório.
A pesquisadora Jaqueline Goes de Jesus participa da Equipe Halo.

Uma das responsáveis pelo sequenciamento genético do novo coronavírus dos primeiros casos de COVID-19 na América Latina, Jaqueline Goes de Jesus, 30, é também uma das guias que fazem parte da Equipe Halo. Atualmente, a pesquisadora está realizando testes com pessoas que já receberam a vacina, mas quando foi convidada para participar do time sua linha de pesquisa não envolvia a produção de imunizantes.

“Quando disse que não trabalhava com a produção das vacinas, pensei que não poderia participar, mas a equipe entendeu que era importante incluir outras áreas relacionadas. Trazer informações para a população sobre o que temos feito em uma linguagem mais simples é uma forma de devolver à sociedade todo o investimento que tem sido feito ao longo dos anos”, conta a biomédica, que criou um perfil no Tik Tok para postar os conteúdos.

 

@drajaquelinegoesSequenciamento genético: passo-a-passo – parte 4 ##equipehalo ##teamhalo ##learnontiktok ##fy ##eunaodesisto ##covid19 ##stopmotion ##science♬ I Gotta Feeling – The Black Eyed Peas

 

Natural da Bahia, Jaqueline conta que sempre foi muito incentivada nos estudos pela mãe, que era enfermeira mas também pedagoga. O que a fez optar pela área da Biomedicina, no entanto,  foi uma conversa com uma moça que vendia livros sobre alimentação e saúde no ônibus. Desde então, não apenas completou a graduação, como também é mestre em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa, Doutora em Patologia Humana pela Universidade Federal da Bahia, em associação com a Fiocruz.

Além da cientista, o Brasil conta com mais três guias: os pesquisadores Natalia Pasternak, Gustavo Cabral de Miranda e Rômulo Neris. “Existem muitos mitos sobre as vacinas serem produzidas para fins de controle populacional ou também, por serem feitas a partir do RNA, fazerem alterações no nosso material genético. Isso não tem validade científica, mas cria um efeito emocional sobre as pessoas. Daí a importância de existir uma equipe mundial, que fala diversas línguas e troca informações atualizadas constantemente, para nos aproximar dos debates da sociedade”, explica a pesquisadora.

Jaqueline acrescenta, ainda, que durante muito tempo os cientistas ficaram restritos aos laboratórios e a comunicação entre os pares. Para ela, a educação básica pode ser a chave para reverter esse cenário, aproveitando a oportunidade para trabalhar competências voltadas para formulação de hipóteses, resolução de problemas e análises. “Ainda temos um longo caminho para a construção dessa relação de confiança, mas temos uma oportunidade”, conclui.

Iniciativa global da ONU reúne pesquisadores da COVID-19 para combater desinformação
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