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O Jornal da Criança é uma proposta de leitura crítica e uma oportunidade para as escolas aproximarem o aprendizado das habilidades do século XXI através da educação midiática.

#Educação#EducaçãoMidiática

A jornalista Viviane Zanardo posa para foto com a filha Isa, segurando um exemplar do Jornal da Criança nas mãos

Se o projeto criado pela jornalista Viviane Zanardo, 45, fosse descrito em uma manchete, não poderia deixar de destacar as palavras: leitura, acessível e crítica. Com o objetivo de incentivar a educação midiática na faixa etária entre 6 a 12 anos, o Jornal da Criança surgiu para intermediar o desenvolvimento de habilidades essenciais em um contexto marcado pela rápida circulação de informações e notícias falsas.

A ideia surgiu quando a escola de Isa, filha de Viviane, pediu para que a turma lesse e interpretasse uma matéria de jornal em casa. Como repórter, ilustradora, editora e apresentadora, com experiência em grandes redações, a paulistana viu uma oportunidade de incentivar a filha a fazer uma leitura crítica. Isa, por outro lado, não se mostrou tão interessada. O motivo? O vocabulário utilizado dificultava a compreensão da mensagem.

“Nessa época, ela estava em fase de alfabetização, aprendendo a interpretar o que lia. O gênero jornalístico tem um padrão diferente de um texto escrito para um livro didático dedicado ao público infantil. Se a gente quer aproximar as crianças da leitura midiática, temos que nos adaptar a linguagem delas também”, relata Viviane.

Foi depois dessa experiência que a jornalista decidiu reunir as principais notícias da semana e do mês — sempre referenciando veículos e fontes oficiais— e adaptá-las para uma linguagem descomplicada, mas não infantilizada. Os textos, embora mais curtos, não deixam de apresentar dados e fatos que estimulam a reflexão.

Em menos de três meses, essa primeira edição on-line, distribuída apenas para alguns amigos e pais, começou a receber propostas de parceria vindas de escolas interessadas em utilizar o Jornal da Criança com as turmas dos anos iniciais do ensino fundamental. Desde maio de 2019, quando foi lançado, o periódico conta com assinatura de 21 escolas, sem contar a rede municipal de ensino de Indaiatuba.

Curadoria de notícias educativas 

Inicialmente, o jornal circulava apenas no portal on-line. Em fevereiro de 2020, a primeira edição impressa do JC foi lançada. Apesar de reduzida, a equipe composta por uma jornalista, uma diagramadora, uma revisora, um editor e um programador traduz o cuidado e a dedicação com o público em formação.

As editorias são divididas em seis temas orientadores: Brasil, Mundo, Meio Ambiente, Cultura, Esportes, Ciência & Tecnologia. Todas elas têm uma relação de intertextualidade com as disciplinas do currículo escolar, ajudando a discutir gêneros e estruturas textuais, gramática e interpretação.

De segunda a sexta-feira, a equipe avalia as informações publicadas pela imprensa, escolhe uma matéria relevante para explicar de forma acessível e posta no portal de notícias do Jornal da Criança. As fontes são sempre creditadas no final de cada texto e as imagens utilizadas são autorizadas para uso. Mensalmente, essas notícias são compiladas na edição impressa.

A diversificação de formatos é uma prioridade para o projeto que, a pedido dos leitores, lançou um podcast e um canal no Youtube. Quem conduz a conversa nesses dois espaços é Viviane e Isa, hoje com 9 anos de idade, que comentam as principais manchetes do mês. O JC também conta com as colunas de opinião do Mike, o cãozinho mascote do jornal.

Leitura crítica na escola 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) traz o campo Jornalístico-Midiático como uma estratégia de construção de competências para lidar com a exposição constante dos jovens às redes sociais e à rápida circulação de notícias. Pensando nisso, para acompanhar a curadoria de conteúdo voltado para as crianças, o JC disponibiliza materiais e formações para os educadores.

Um dos colaboradores desse material é o educador Google Innovator  Márcio Gonçalves, facilitador do projeto Educamídia e criador de uma  imprensa mirim na escola em que leciona. Além de revisar os textos, o educador compartilha uma pasta no Google Drive com sugestões de exercícios para cada série, do 1º ao 5º ano, que podem complementar a experiência de leitura do periódico.

Outra proposta do projeto para fortalecer não apenas o consumo, mas a produção de conteúdo são as formações realizadas com os educadores das escolas assinantes. Periodicamente, Viviane conduz uma oficina debatendo conceitos da escrita jornalística e ferramentas para incentivar a prática entre os estudantes.

“A desinformação afeta diretamente as crianças, que são usuárias ativas das redes sociais, principalmente em um contexto de pandemia e excesso de telas. O papel da escola é de extrema importância para orientar esses jovens com relação ao uso desse mundo de possibilidades desbloqueadas pela internet”, acrescenta a fundadora do periódico.

Para aprender a ler, é preciso compreender 

Para a educadora Greici de Camargo, 44, que leciona há 17 anos e faz parte da rede municipal de Curitiba, essa nova demanda é o que difere a geração atual de estudantes. Ela relembra que, em sua época, a escola tradicional oferecia cartilhas de alfabetização que muitas vezes não faziam sentido. As crianças aprendiam a ler, mas não a interpretar.

“Ler é compreender, opinar, fazer analogias, entender por quem e para quem um texto foi escrito. Para ensinar as crianças é preciso conquistar a atenção e o interesse delas, despertar a curiosidade e a vontade de ler. Por isso, busco me atualizar o máximo que posso para trazer o melhor para os meus estudantes”, diz Greici, que também faz parte do grupo Alfabetizadores de Curitiba e é responsável pela formação e acompanhamento de professores em 17 escolas da rede.

Com a chegada da pandemia, em março de 2020, o grupo de formadores foi convidado pela Prefeitura para gravar as aulas de Língua Portuguesa. Os vídeos são disponibilizados no YouTube, mas também são transmitidos em três canais de TV locais. Para continuar trazendo aulas de interpretação interessantes e interativas, Greici apostou na proposta do Jornal da Criança.

Qualquer escola com mais de 50 estudantes pode fazer a assinatura anual do periódico, que oferece a edição impressa, a pasta de exercícios e as oficinas para educadores e estudantes.

“Assim como muitos dos meus colegas da rede pública, faço investimentos pela qualidade do ensino dos meus estudantes. A partir de uma reportagem sobre Circo, na edição de março do Jornal da Criança, pretendo criar atividades para trabalhar gênero textual com a turma do 3º ano. A partir dessa iniciativa, espero que minhas crianças aprendam de maneira lúdica, significativa e inesquecível, interagindo com seus pares e sendo respeitadas em seu ritmo de aprendizagem ”, conclui a educadora.

O portal TRILHAS, criado pelo Instituto Natura em parceria com a Fundação Telefônica Vivo, oferece gratuitamente cursos e ferramentas para aqueles que já trabalham em sala de aula e para os que ainda estão estudando pedagogia. A ideia é incentivar um ambiente colaborativo, de troca de experiências e formações referenciadas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Viviane Zanardo, fundadora do Jornal da Criança e também autora e ilustradora do livro paradidático Cidade das Letrinhas, será uma das convidadas da plataforma para falar sobre a importância do campo jornalístico na escola. Fique de olho nas redes sociais do TRILHAS para ouvi-la!

Jornal voltado para crianças trabalha leitura de notícias de forma acessível e educativa
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