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Pesquisa realizada pela Endeavor aponta quais são os fatores que tornam cidades como São Paulo e Florianópolis ecossistemas propícios para um negócio se desenvolver.

A infraestrutura e os recursos da metálica cidade de São Paulo. O espírito inovador e a formação dos profissionais de Florianópolis. Adicione as ofertas de ensino profissional de Vitória com a criatividade e pouca burocracia de Recife, e finalize com a qualidade de vida oferecida pela interiorana Campinas. Reunindo as cinco cidades campeãs do Índice de Cidades Empreendedoras 2015, estudo realizado pela Endeavor, pode-se criar um ecossistema ideal para abrigar quem está disposto a empreender.

A pesquisa, que está na segunda edição, nasceu da necessidade da organização em identificar o que torna uma cidade o ambiente ideal para os empreendimentos. A primeira, feita em 2014, mapeou 14 capitais. O estudo de 2015 expandiu o território para 32 cidades, incluindo as do interior. “Entender como a cidade está organizada e como ela incentiva o empreendedorismo é essencial para as empresas e para quem deseja abrir seu negócio”, explica Pedro Lipkin, gerente de pesquisa e mobilização da Endeavor. Para mapear o ranking de cidades empreendedoras, foram determinadas as diretrizes, essenciais para o florescimento de um negócio próspero. Confira:

São Paulo, eleita a cidade campeã, ganhou de Florianópolis por uma diferença pequena entre as notas. “São Paulo é o centro logístico do país e recebe grande parte dos investimentos. Também tem um mercado diverso e uma infraestrutura excelente, o que a coloca no topo do índice”. A capital paulista peca em dois aspectos: o alto nível de burocracia, que culmina na lentidão na hora de regularizar uma iniciativa, e também a mão de obra, que, embora abundante, não está tão qualificada para os desafios de empreender.

E é justamente aí que a capital de Santa Catarina se destaca. Florianópolis é detentora de um capital humano altamente capacitado, com 60% dos alunos universitários inscritos em cursos de excelência, além de 36% da população com diploma universitário. Além de bem formados, estão alocados em setores de pesquisa e de inovação, trabalhando ativamente no setor de economia criativa.

Embora o investimento e a infraestrutura estejam na região Sul, é próximo à linha do Equador que a cultura do empreendedorismo floresce. Os estados do Norte e do Nordeste experimentaram um boom econômico na última década, o que contribuiu para o desenvolvimento do empreendedorismo. “O Nordeste tem gargalos estruturais, mas, em compensação, vemos um potencial na imagem do empreendedor, do quão desejado que é ser dono de seu próprio negócio na cidade”, explica Pedro Lipkin.

Curioso é perceber que, embora as capitais concentrem o maior número de ações empreendedoras, as cidades do interior também obtiveram bons resultados no índice. Campinas, localizada a 90 km de São Paulo, ficou em quinto lugar no ranking, tendo como diferencial ser um grande centro de profissionais qualificados.

Embora a pesquisa mapeie as cidades brasileiras, ela também traz bons exemplos internacionais, que podem servir de inspiração. Com relação às questões de ambiente regulatório, problemáticas em várias localidades analisadas, é trazido o exemplo do Chile, que, desde 2010, permite aos empreendedores registrarem suas empresas eletronicamente – reduzindo o tempo de abertura para apenas cinco dias.

O gerente da Endevor faz uma ressalva final: mesmo as cidades bem colocadas não são o ideal de um ecossistema empreendedor. “O fato de São Paulo ter uma nota alta não quer dizer que está próxima a perfeição. Foi feita uma comparação nacional e, se colocarmos a cidade contra capitais do mundo, a colocação seria menor. Há um caminho muito grande para avançarmos”. Segundo a pesquisa Índice Global de Empreendedorismo – utilizada com referência na pesquisa – o Brasil está na 92ª posição entre 132 países. Se as características positivas das cidades se intercruzarem e ganharam força, esse número tende a diminuir.

O que é preciso para que as cidades se tornem cada vez mais receptivas ao empreendedorismo?
O que é preciso para que as cidades se tornem cada vez mais receptivas ao empreendedorismo?