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Saiba como os personagens de ficção apoiam o desenvolvimento infantil, o que podem ensinar e como os educadores podem usar as histórias em sala de aula

#Educação; #ProFuturo

Menino está com máscara e capa de herói em pauta sobre como as histórias em quadrinho com super-heróis podem ser ferramentas pedagógicas. Ele tem menos de 10 anos de idade, veste camiseta colorida, capa e máscara roxas.

Os super-heróis nasceram nas histórias em quadrinhos (HQs) norte-americanas. São seres humanos aparentemente comuns, mas responsáveis por feitos inacreditáveis, como voar, congelar o inimigo, ficar invisível, ou ter uma superforça. Esses personagens impactam jovens e adultos que acompanham suas jornadas e podem influenciar positivamente na construção de valores como coragem, responsabilidade, maturidade e altruísmo.

O Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos ou Dia do Quadrinho Nacional é comemorado no dia 30 de janeiro. Nessa data, no ano de 1869, foi publicada a primeira história em quadrinho brasileira: “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, do cartunista Angelo Agostini.

A primeira edição da Action Comics, revista em quadrinhos publicada pela editora DC Comics, deu vida ao Superman, em 1938. No ano seguinte, o Batman apareceu. Entre o final da década de 1930 e os anos 1950, as sagas dos super-heróis viveram a “era do ouro dos quadrinhos”.

Os super-heróis extrapolaram as páginas dos quadrinhos e ocuparam os filmes, desenhos animados e propagandas. Cerca de 80 anos se passaram desde a sua criação e eles ainda são fortes ícones da cultura pop.

 

O impacto no desenvolvimento infantil 

A imersão no mundo da fantasia faz muita diferença no desenvolvimento infantil.  Crianças imaginativas usam a brincadeira para desenvolver melhor a inteligência emocional. Trabalhar com o lúdico ajuda também no desenvolvimento social e cultural, na manutenção de uma boa saúde mental, além de facilitar a construção do conhecimento.

“Hoje, pela BNCC, podemos usar quadrinhos e filmes como objetos pedagógicos. Isso é necessário para fazer grandes reflexões sobre a nossa sociedade. O personagem é ficcional, mas o enredo que está se passando já acontece na sociedade”, afirma Gelson Weschenfelder, professor, escritor e pesquisador sobre o uso de histórias em quadrinho em atividades escolares.

O professor e pesquisador defende que usando HQs de forma pedagógica é possível apoiar as crianças na compreensão sobre seu entorno e sobre o mundo. Elas também criam uma relação com os super-heróis que as ajuda na construção de valores.

 

Super-heróis como tutores de resiliência 

Em seu doutorado, o professor Gelson Weschenfelder estudou o quanto os super-heróis podem se transformar em tutores de resiliência para crianças e adolescentes em situação de risco. A tese recebeu o Prêmio Jovem Cientista pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 2018 e virou um livro.

Por meio de um mapeamento, o pesquisador identificou que 97% dos personagens das editoras DC Comics e Marvel passaram por adversidades sociais.

“O Homem Aranha sofreu bullying, é órfão, e possui limitações econômicas. O Capitão América também passou por bullying e teve uma infância frágil. O Homem de Ferro teve os pais assassinados e tem problemas de alcoolismo na vida adulta. A Mulher Gato sofreu violência sexual”, exemplifica Gelson.

Assim nasceu um projeto para apresentar esses personagens a crianças e adolescentes que passam por situações de risco, mostrando como estes indivíduos, mesmo na ficção, conseguem se empoderar. O trabalho foi iniciado com jovens entre 12 e 17 anos.

“As crianças ilustravam problemas sociais que elas estavam vivenciando ou presenciando, e em seguida indicavam uma solução caso fossem heróis. Fomos trazendo esses personagens ficcionais das histórias em quadrinho e mostrando como eles conseguem se sobressair sem usar os super poderes”, detalha.

A partir desse contato, o jovem se fortalece, e os aspectos vistos como positivos no herói são apropriados em um movimento de internalização. Ele adere aos comportamentos que deseja possuir do herói. Ao longo do projeto foram também dadas aulas de quadrinho, desenho e roteiro e foram alcançados ótimos resultados.

“Apresentamos também o que é heroísmo, e mostramos os heróis que conhecemos e convivemos no dia a dia, como professores, profissionais da saúde, etc. Os leitores de quadrinhos conseguem ter um senso de ética, de justiça e empoderamento graças aos super-heróis”, conclui Gelson Weschenfelder.

E a violência? 

Sobre a influência negativa causada pelo excesso de violência que esses personagens possam despertar, o pesquisador relembra que as histórias em quadrinho não são direcionadas especificamente para crianças, mas para jovens e adultos. Neste caso, é preciso adaptar as histórias para cada faixa etária.

“Nos últimos anos tem surgido desenhos e filmes com linguagem própria para as crianças, com linguagens e ilustrações apropriadas”, sugere.

O professor e pesquisador pontua que mesmo as histórias mais violentas estão se adaptando. Se na década de 1960 a violência era a única forma de combater o mal, a partir dos anos 2000 as histórias focam mais em aventuras. Os vilões se afastam de uma perspectiva reducionista, de serem violentos sem motivo e ajudar na explicação sobre problemas sociais e em reflexões sobre a sociedade.

“A gente começa a enxergar o violão como um reflexo da sociedade. A gente vê como a sociedade criou aquele vilão. Tem um porquê. Muitas vezes este personagem não pensa que está fazendo mal, ele faz o que é correto dentro do olhar dele, perante o meio em que está inserido”, explica Gelson.

 

Representatividade sempre importa 

A identificação com o super-herói é um dos elementos mais importantes trazidos pelas histórias em quadrinho. No entanto, durante muito tempo, os personagens de ficção não eram representativos para grupos considerados socialmente como minorias. Recentemente, as produções passaram a ser inclusivas, com maior diversidade entre os heróis.

A heroína Kamala Khan (ou Miss Marvel), criada em 2014, é um destes exemplos. Ela é uma adolescente de origem paquistanesa que mora com a família em Nova Jersey, nos EUA. Kamala não usa o tradicional traje composto por maiô e botas, tampouco carrega elementos de sedução, fazendo com que os leitores foquem em suas aventuras. Em “Miss Marvel, Nada Normal“, seu HQ de estreia, é possível saber mais sobre a sua história e como conseguiu seus poderes.

O que os super-heróis podem ensinar a jovens e crianças?
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