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Com o objetivo de mobilizar meninas e mulheres, iniciativa leva empoderamento feminino ao conscientizar sobre direitos

#Educação#Estudantes#Projetodevida

Ao ler sobre a história de Georgia Gabriela Sampaio, brasileira que aos 19 anos criou um método prático para diagnosticar endometriose, o pensamento da estudante Aisha Paz, na época com 14 anos, foi: “Mas ela é só uma menina!”. A jovem, no entanto, não estava muito longe de transformar a realidade de sua própria comunidade. “Foi quando decidi que queria ser o tipo de menina que ajuda outras meninas”, afirma.

Assim nasceu o projeto De Mãos Dadas (DMD), com o objetivo de mobilizar meninas e mulheres periféricas em ações para disseminar informações sobre educação sexual e protagonismo feminino, com a produção de conteúdos educativos em redes sociais, organização de encontros e debates sobre saúde feminina e educação sexual, produção de cartilhas informativas em parceria com órgão nacionais e internacionais, além de defender a causa dentro de coletivos que advogam por políticas públicas.

“Minha mãe me teve ainda no Ensino Médio e estudou na mesma escola que eu, na periferia de Fortaleza. As pessoas diziam que eu também estava destinada a ficar grávida jovem e isso fez com que eu encontrasse na educação um impulso para ir além dessas expectativas”, conta.

Ainda no Ensino Fundamental, a estudante entrou para um coletivo de combate à evasão escolar por meio da música. Durante este período, notou que a gravidez na adolescência era uma das principais causas de abandono dos estudos e foi impactada pelos relatos dos jovens que não sabiam o que estava acontecendo com seus corpos. Aisha decidiu fazer algo a respeito.

Em 2018, entrou na Escola Estadual de Educação Profissional VI para cursar o Ensino Técnico em Enfermagem. Lá, conheceu Maria Eduarda e Sara Bella, e juntas decidiram organizar o projeto. “Precisávamos ajudar mulheres e meninas a não se sentirem sozinhas como minha mãe se sentiu, para que pudessem escrever suas próprias histórias”, acrescenta Aisha.

Para elas, a educação sexual é a parte central do projeto, já que a partir dessas informações, as meninas serão capazes de entender o corpo e prevenir principalmente a violência sexual. “É extremamente importante. Quando uma menina entende sobre os direitos de seu corpo e quem pode ou não tocá-lo e em que situações, ela fica menos vulnerável e mais autoconfiante”, defende Maria Eduarda.

Conhecimento que gera impacto

De Mãos Dadas (DMD) foi oficializado dentro da escola em 2020 e atualmente é gerenciado por nove lideranças femininas que dividem as ações em Grupos de Trabalhos, os GTs, como o de Mídias, Educação, Clube do Livro e Embaixadoras. Voluntárias e voluntários de todo país podem participar da produção dos conteúdos e da condução dos projetos, cientes de que o protagonismo jovem e as lideranças femininas são prioridades na equipe.

“O nosso objetivo é compartilhar o máximo de informações possível, de maneira acessível para que o público jovem se identifique e sinta-se acolhido”, explica Sara Bella, responsável pelo GT de Mídias.

Além de parcerias financeiras, a equipe também recebeu suporte e consultoria de organizações como Oracle, Ashoka e Vital Voices, que potencializaram a veia empreendedora das jovens com cursos, mentorias, treinamentos e espaços para reconhecimento internacional. “Nos sentimos incrivelmente realizados com o impacto que o DMD está começando a gerar. Esperamos que mais parcerias venham para que meninas do Brasil inteiro possam conhecer nossos projetos”, complementa Sara.

 

Criando caminhos públicos

Em uma das ações mais recentes, as líderes do De Mãos Dadas criaram o coletivo Cadê o Modes para mobilizar políticas públicas voltadas para saúde feminina. Ao lado de outros três clubes que fazem parte do Girl Up Ceará, promovem ações a favor da dignidade menstrual, que consiste em oferecer orientações e condições sanitárias básicas para a saúde feminina.

 

Os esforços surtiram efeito. No início de julho, dois Projetos de Lei a favor da educação menstrual no Ceará foram aprovados. Mas o que realmente marca a atuação do projeto é a capacidade de atingir também familiares, educadores e os demais agentes da rede de apoio na comunidade.

“Um de nossos maiores desafios foi quando um pai veio pedir ajuda. Viúvo, descobriu que a mais velha das três filhas escondeu a primeira menstruação e não sabia como orientá-la.  A partir deste pedido, desenvolvemos publicações ilustradas com instruções sobre os cuidados e abordagens em relação a essa fase na vida das meninas”, lembra Aisha.

No futuro elas esperam que o projeto se torne uma Organização Não-Governamental regulamentada e financeiramente sustentável. “Vejo a gente disseminando uma educação que previne abusos e que anda de mãos dadas com o futuro”, finaliza a co-criadora.

Projeto de jovens na periferia de Fortaleza transforma comunidade com educação sobre saúde feminina
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