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Impulsionada pelo crescimento do uso de tecnologia, a robótica educacional pode ser incluída na grade curricular obrigatória ou na eletiva.

#Educação#EnsinoMédio#TecnologiasDigitais

Professores reunidos em torno de uma mesa com sucatas diversas para a construção de protótipos eletrônicos em formação docente em robótica educacional

A robótica educacional vem deixando de ser uma novidade exclusiva para poucas escolas. Hoje, é cada vez mais comum a presença de aulas de robótica no ensino médio em redes públicas de ensino.

A robótica é definida como uma série de procedimentos que fazem um robô executar um conjunto de instruções. Na educação, ela pode ser usada como um método de ensino que incentiva os alunos a construírem seus próprios conhecimentos, orientando iniciativas de STEM (Science, Mathematics, Engineering and Technology), além de propostas de aprendizagem baseada em projetos e outras metodologias ativas.

Impulsionada pelo crescimento do uso de tecnologia na educação, a robótica pode ser incluída tanto na grade curricular obrigatória como na eletiva. Ela garante aos estudantes uma oportunidade para desenvolver suas habilidades criativas e, ao tornar as aulas mais atrativas e mão na massa, pode transformar o processo de ensino-aprendizagem.

 

Robótica educacional: solução de problemas reais

Na rede pública do Rio Grande do Sul, mais de 300 escolas receberam o kit de robótica, direcionado aos anos finais do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio, especificamente às escolas de tempo integral. Segundo o chefe de Inovação Pedagógica da Secretaria de Educação do estado (Seduc-RS), Edson Fabrício, a rede já distribuiu mais de mil kits de arduíno (explorador uno e explorador mega).

“Quando se pensa em robótica, se pensa automaticamente no robô humanoide ou um carrinho. Porém, ela é muito mais que isso. É um meio de solucionar problemas de forma inovadora, através da tecnologia, com uma abordagem transversal”, afirma Edson, ressaltando que a robótica pode ser utilizada em uma ampla gama de disciplinas. “Não apenas na matemática, mas também nas matérias de linguagens (português e inglês) através da programação em blocos; na geografia, com o posicionamento GPS; na física, com sensores de velocidade e tempo; na química, com a medição de níveis de pH no robô, e por aí vai.” Ainda, os aparelhos podem ser equipados com sensores para que a aprendizagem inclua também pessoas com deficiências visuais ou auditivas.

Enquanto os kits não são disponibilizados a todas as escolas, Edson reforça a possibilidade de iniciar práticas de robótica a partir de sucatas. “Mais do que o kit, o  que as escolas precisam para aplicar a robótica é vontade e criatividade”, acredita o gestor. “Começando pelo professor, escutando os estudantes e passando pela gestão. O que importa é a aplicação da metodologia de criar soluções para os problemas. O kit é um facilitador, e a robótica por si só não resolve nada. Ela precisa estar aliada aos problemas, ao cotidiano escolar e à realidade dos estudantes.”

Formação docente em robótica 

Entre os desafios desse processo, o gestor cita – para além das barreiras relativas à infraestrutura e acesso ao kit – a formação docente nessa abordagem. “Conciliar a rotina extenuante do professor e motivá-lo a usar metodologias inovadoras e ativas em suas práticas – como a robótica – é um grande desafio.”

Buscando sanar essa questão, a Seduc-RS criou os Núcleos de Tecnologia Educacionais (NTEs) para apoiar escolas da rede pública no uso pedagógico dos recursos de tecnologia digital. Adicionalmente, os NTEs são responsáveis pela formação docente em robótica no estado gaúcho.

Com apoio da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa, as formações em robótica promovidas pelos NTEs incluem temas como pensamento computacional, programação e algoritmos, além de ensinar na prática como se faz robótica educacional sem necessariamente possuir um kit para tanto – mostrando como uma impressora 3D pode ajudar na construção de kits. Os participantes trabalham na criação de um protótipo e são introduzidos ao Arduíno, uma placa eletrônica de código aberto.

Após utilizarem essas práticas mão na massa em sala de aula, os professores dão as devolutivas aos formadores e passam a trabalhar na criação de um projeto para a introdução da robótica na escola e a construção de um espaço maker.

Robótica educacional: preparando os futuros profissionais da tecnologia 

De acordo com Eliane Soares, formadora do NTE da 27ª Coordenadoria Regional de Educação do RS, localizada em Canoas, a primeira turma de formação em robótica aconteceu em 2018. A partir de então, anualmente há uma turma de docentes que mergulha na temática. “Começamos com dez escolas construindo seus espaço maker, e hoje, apenas na nossa regional, participam professores de mais de 30 escolas”, diz Eliane.

“O nosso ideal é inserir a robótica na carga horária do professor, para que ele possa atender no contraturno os alunos que tenham interesse no tema. Queremos descobrir esses talentos”, observa. “Na formação, mostramos que os docentes devem estar abertos a não só ensinar, mas também a aprender com os alunos. Sabemos que o professor não é mais o dono do saber, e agora o conhecimento está espalhado no mundo. Assim, o professor será articulador e mediador do ensino aprendizagem.”

Em sua visão, a robótica abre um leque de oportunidades para o desenvolvimento da aprendizagem, ao retomar com os alunos do Ensino Médio a metodologia ‘mão na massa’ muito utilizada no ensino infantil. “É uma forma diferente de aprender, e professores que estão atuando com robótica nas escolas se tornam mais ativos e motivados. Eles inspiram os alunos e promovem engajamento em projetos educacionais, os conduzindo ao protagonismo. A robótica educacional na escola pública poderá promover os futuros profissionais da área de tecnologia e programação.”

Robótica no currículo 

O mesmo caminho de protagonismo da robótica educacional é seguido pela Secretaria de Educação do Ceará (Seduc-CE). Quem afirma isso é o coordenador da Educação Profissional do órgão, Rodolfo Sena.

“Tudo hoje é informatizado, e o mercado de trabalho cobra dos estudantes habilidades que são importantes nesse sentido. A robótica já está dentro do currículo das Escolas de Ensino Profissional (EEP), e até 2026 – quando todas as escolas cearenses serão integrais – estará presente como uma eletiva em toda a nossa rede.”

Hoje, aproximadamente 400 professores da rede pública estão participando de formações nesta área, dedicada aos profissionais que trabalham nas escolas de ensino integral e nas EEP. Segundo Rodolfo, o principal desafio da rede é a logística para promover formações presenciais, fundamentais para este tema. “Os equipamentos não são mais um problema. Hoje, todas as escolas dos professores que participam da formação possuem kits de robótica, que atendem de 20 a 30 estudantes simultaneamente”, finaliza.

Redes de ensino público investem na formação de professores em robótica educacional
Redes de ensino público investem na formação de professores em robótica educacional