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Apesar de distintos, estes dois conceitos não podem ser separados. Entenda a diferença entre alfabetização e letramento e por que compreendê-los ajuda a aprimorar a prática pedagógica.

#Educação#Educadores

Imagem de uma menina escrevendo em folhas de papel.

A memorização do alfabeto, o reconhecimento das letras, a ligação entre sílabas e a formação de palavras são competências desenvolvidas pelas crianças durante a sua alfabetização. Apesar de termos contato com o mundo letrado desde o nascimento, o processo da alfabetização se inicia formalmente na escola durante as séries iniciais.

A alfabetização é o processo inicial de transmissão de leitura e escrita. Ela se faz pelo domínio de uma técnica. Ou seja, a pessoa irá dominar habilidades alfabéticas e ortográficas para decodificar a língua.

Uma criança alfabetizada, no entanto, não é necessariamente um indivíduo letrado. Este último conceito se refere a algo mais amplo. Enquanto a alfabetização desenvolve a aprendizagem das letras e símbolos escritos, o letramento se ocupa da função social de ler e escrever. Ela refere-se a compreensão, interpretação e uso da língua nas práticas sociais. Uma pessoa letrada será capaz, por exemplo, de se informar por meio de jornais, seguir receitas, criar discursos ou interpretar textos.

Os conceitos de alfabetização e letramento apesar de distintos são indissociáveis, como explica a professora da rede pública do Rio de Janeiro e cursista do Portal TRILHAS, Lena de Abreu Jaques.

“Acreditamos no alfabetizar letrando, pois entendemos que os dois processos são indissociáveis. Esta alfabetização se ancora no ensino da Língua Portuguesa e se constitui em um instrumento de apoio para o desenvolvimento cognitivo pessoal e social do indivíduo”. Ela conclui que o letramento confere capacidade e autonomia aos estudantes, assim como os transforma em escritores eficientes e usuários competentes da língua portuguesa na comunicação oral e escrita.

Compreender estes conceitos é necessário, pois incide na forma como os professores irão desenvolver o seu trabalho com os alunos. O educador passa a ensinar as técnicas de alfabetização sem perder de vista as práticas sociais da leitura e escrita.

Hábito de leitura 

Uma criança letrada é ainda uma pessoa que tem o hábito, a habilidade e até mesmo o prazer da leitura e da escrita de diferentes gêneros textuais. Com esta percepção, a professora Lena Jaques adaptou para o ensino remoto o Projeto Sons, Sabores, Cordéis e Poesia, que incentiva o hábito de leitura pelas crianças.

“Com a pandemia, tornou-se necessário buscar uma variedade de composições textuais que articulam o verbal, o visual, o gestual e o sonoro para provocar o encantamento pela aprendizagem”, conta a professora.

Segundo a docente, mesmo enfrentando os desafios do isolamento social, o projeto permitiu a ela ensinar com leveza e alegria. “O uso da tecnologia na modalidade remota tem nos desafiado a novas aprendizagens”, compartilha. “Cada atividade realizada, cada vídeo, texto escrito ou apresentação ajuda a provocar o encantamento pelo ouvir, pelo aprender, a gostar de ler, escrever e dialogar. Isto se reflete em valores, que ajudam na formação do caráter do educando”, comemora.

Contexto brasileiro ainda é um desafio 

A alfabetização e o letramento são temas ainda preocupantes no Brasil. Atualmente, segundo o IBGE, 11 milhões de brasileiros não sabem ler nem escrever, e de acordo com o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado em 2018, 29% da população brasileira com mais de 15 anos possui dificuldades para interpretar textos e realizar operações matemáticas simples no cotidiano.

O Inaf considera como analfabeto funcional a pessoa que, mesmo sabendo ler e escrever algo simples, não tem as competências necessárias para satisfazer as demandas do seu dia a dia e viabilizar o seu desenvolvimento pessoal e profissional.

O relatório do 3º ciclo de monitoramento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), divulgado em 2020, também mostra dados preocupantes. Apenas 45,3% das crianças que chegam ao 3º ano do ensino fundamental têm aprendizagem adequada em leitura, 66,1% desses alunos neste mesmo ano têm aprendizagem adequada em escrita e 45,5% têm aprendizagem adequada de matemática.

Uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) é alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º ano do Ensino Fundamental até 2024. No entanto, com a pandemia da Covid-19 e a suspensão das aulas presenciais, a alfabetização foi prejudicada, segundo especialistas em educação. O cenário pandêmico também agravou ainda mais os índices de evasão escolar, como mostram os dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2020.

“Antes da pandemia, 1,3 milhão de crianças e adolescentes em idade escolar já estavam fora da escola no Brasil. Com a pandemia, os dados mostram uma evasão de aproximadamente 4 milhões de meninos e meninas, ou seja, um total de mais 5 milhões de crianças e adolescentes desvinculados da escola, que não estão participando de maneira regular”, explica Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil sobre dados da PNAD em entrevista ao G1.

 

Formação continuada como um caminho

Diante deste contexto, é importante ressaltar a importância da formação continuada de professores alfabetizadores, pois possibilita que eles identifiquem quais são as principais dificuldades de aprendizado dos alunos, e também desenvolvam novas práticas pedagógicas para contribuir com a alfabetização destes estudantes.

O Portal TRILHAS oferece formação continuada voltada para professores alfabetizadores, estudantes de Pedagogia e Licenciaturas, além de conteúdos que apoiam a prática pedagógica adaptados ao contexto de ensino remoto.

“Os desafios são mais acentuados ao ensinar de forma remota e o professor precisa de mais suporte, como os que são oferecidos pelo Projeto Trilhas”, ressalta Lena.

Entre os cursos oferecidos no Portal estão o de Leitura em voz alta pelo professor. Ele propõe o trabalho com textos narrativos, poéticos e informativos, dirigidos para crianças em fase de alfabetização.

No curso de Escrita por meio do professor os alunos assumem o papel de autores e ditam ao professor uma história. O docente, que assume o papel de “escrivão”, garante a ortografia e a pontuação do texto, mas são os estudantes, os narradores, que ditam uma história completa, coerente, com início, meio e fim.

Por fim, o curso Escrita compartilhada: pesquisar, comunicar e aprender propõe um mergulho no universo das enciclopédias. O objetivo deste curso é ampliar os conhecimentos sobre textos informativos científicos, e mostrar aos estudantes caminhos para uma boa pesquisa.

Saiba qual a diferença entre alfabetização e letramento
Saiba qual a diferença entre alfabetização e letramento