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Redes de ensino estaduais e municipais do Brasil têm apostado em formação online para professores mesmo após o retorno presencial

#Educação#EnsinoMédio#TecnologiasDigitais

Professor utiliza óculos e fone em frente ao computador, enquanto faz anotações com caneta em um caderno.

Um dos grandes desafios da rede pública de ensino no Brasil é a formação de professores. Afinal, o país conta com 2,2 milhões de docentes apenas na educação básica, segundo dados do Censo Escolar 2020. Antes da pandemia, a modalidade virtual para a formação docente já vinha ganhando espaço no cotidiano escolar. Agora, a formação online para professores já é uma realidade em diversas redes estaduais e municipais.

Entre 2016 e 2020, a quantidade de professores que realizaram formação continuada subiu de 33,3% para 39,9%, ainda de acordo com o Censo Escolar 2020. Essa elevação é parte da meta 16 do Plano Nacional de Educação (PNE), em vigor desde 2014. Buscando aumentar esse índice, Secretarias de Educação têm apostado no formato virtual para oferecer ao seu corpo docente mais oportunidades de formação continuada.

 

Formação online para professores em Goiás 

É o caso do Centro de Estudos, Pesquisa e Formação dos Profissionais de Educação (CEPFOR), vinculado à Secretaria de Estado da Educação de Goiás.

A superintendente do CEPFOR, Rita de Cássia Ferreira, observa que a formação continuada de professores a distância ocorre desde 1991, com a criação do programa Salto para o Futuro, transmitido nacionalmente na grade da TV Escola. Foi durante a pandemia, porém, que a formação online se intensificou.

“A rede de ensino de Goiás não parou, e devemos isso ao apoio do CEPFOR aos profissionais. Criamos cursos com essa temática, como ‘Mediação Pedagógica em Ensino a Distância’. Também reforçamos o atendimento, escrevemos guias, realizamos ciclos de lives para apoiar o professor na apropriação das tecnologias, para que pudessem dar andamento às aulas virtuais”, afirma Rita.

Na visão da superintendente, as perdas pedagógicas só não foram maiores por causa do apoio do CEPFOR. “Além do papel importante durante a pandemia, o Centro é importante para suprir lacunas que a formação inicial deixa na formação dos profissionais.”

 

Auxílio-Aprimoramento 

Aos docentes da rede, o CEPFOR oferece tanto formações autoinstrucionais, 100% EaD e sem mediação, como cursos mediados por tutores. É possível, também, realizar exercícios e avaliações em um ambiente virtual de aprendizagem. “Oferecemos atividades e propostas de estudo de caso, levando a parte teórica para a realidade do professor”, complementa Rita.

Até o momento, o CEPFOR emitiu mais de 40 mil certificados. Para motivar os profissionais a se capacitarem, o governo goiano implementou, em outubro de 2021, o Auxílio-Aprimoramento, que repassa R$ 500 por mês para os servidores da educação que comprovem a conclusão de cursos e formações em suas áreas de atuação.

 

Formação online para professores em São Paulo

Desde abril de 2020, os 200 mil servidores da educação de São Paulo têm à sua disposição o Centro de Mídias (CM), plataforma que possui canais digitais abertos e um aplicativo para acessar conteúdos diversos para professores e estudantes da rede estadual de ensino.

O lançamento da iniciativa aconteceu justamente quando o ensino foi paralisado pela pandemia. Segundo a coordenadora da Escola de Formação dos Profissionais da Educação (EFAPE), Bruna Waitman, não foi mera coincidência. Afinal, era urgente formar os professores na utilização de novas tecnologias para a prática pedagógica diante de um novo cenário.

“Foi uma experiência divisora de águas”, começa Bruna. “De maneira simultânea, formamos 150 mil professores. Há desafios, como a resistência ao uso da tecnologia, mas a necessidade estava falando mais alto, e hoje o CM forma a totalidade dos servidores da educação.” A plataforma também está disponível às redes municipais do estado, e a Fundação Telefônica Vivo é uma das parceiras no desenvolvimento de conteúdo e estratégia.

 

Protagonismo ao professor 

O CM nunca teve a intenção de ser uma plataforma de teleaulas, mas sim de funcionar de uma maneira que ofereça protagonismo para quem está do outro lado da tela. “Há um pressuposto de mão na massa, com tarefas constantes, chat para os participantes interagirem diretamente com os formadores, quiz e enquetes ao vivo.” Adicionalmente, no repositório virtual do CM os profissionais podem ter acesso prévio ao conteúdo formativo.

Em 2021, o CM realizou 1.434 formações online, totalizando 3.754 horas de conteúdos formativos. “Ainda temos o desafio de chegar em todo mundo e manter o engajamento, combinando o virtual com o presencial e preservando as especificidades locais, já que temos escolas com diferentes questões”, complementa Bruna.

 

Formação online para professores no Rio de Janeiro 

No âmbito municipal, o desafio não é muito diferente. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde há 1.544 escolas sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação – compreendendo um universo de aproximadamente 650 mil estudantes e 35 mil profissionais –, a plataforma de EaD foi implementada em 2018 com o objetivo de proporcionar formação continuada para mais professores.

Diretora da Escola de Formação Paulo Freire (EPF) até maio de 2022, Morgana Rezende afirma que, além de ampliar o acesso, a formação EaD garante unidade formativa e oportunidade a todos. “A chegada da pandemia não pegou a gente de surpresa, pois já tínhamos iniciado esse processo. A plataforma teve um boom, com os professores em casa praticando e realizando o ensino remoto. Demos a possibilidade para eles entrarem nesse mundo de novas ferramentas e novos cursos.”

Leia mais: Qual é a importância da formação continuada para educadores?

A EPF também conta com um aplicativo próprio e canais de formação nos quais o professor faz a aula síncrona. “Hoje não tem mais como pensar em formação de professores da rede sem pensar no ensino a distância. É inevitável. Isso foi implementado de vez, garantindo ainda que cada professor realize a formação em seu ritmo e tempo”, observa Morgana.

 

Tendência: formação mesclando virtual e presencial 

Ela cita como desafio manter o engajamento dos profissionais durante os cursos online. “As pessoas estão cansadas da tela, querendo outros formatos. Por isso, começamos a notar uma procura forte por formações híbridas, mesclando o virtual e o presencial. É uma tendência que possibilita novas dinâmicas formativas.”

No final de 2021, foi realizada uma pesquisa interna sobre a aceitação dos professores em relação ao EaD. “Vimos que era muito rejeitado no início, mas passou a ser bem aceito. Do universo de respondentes, 90% afirmaram ter participado de formações naquele ano e 38% disseram ter preferência por modalidades que misturem o virtual e o presencial”, conclui Morgana.

Secretarias de Educação investem em formação online para professores
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