Saltar para o menu de navegação
Saltar para o menu de acessibilidade
Saltar para os conteúdos
Saltar para o rodapé

Especialista explica por que esse modelo, mesmo que de forma híbrida, pode equilibrar os interesses e as necessidades das empresas e dos colaboradores

#Estudantes

Modelo que já vinha sido adotado em áreas como a de Tecnologia da Informação, o trabalho remoto despontou como solução para o isolamento social contra a Covid-19 desde 2020. As empresas precisaram se adaptar à nova realidade, movimento que fez agilizar o que era apenas uma tendência.

“A pandemia acelerou as transformações que estavam no horizonte. Esse grande experimento, quando a gente entrou maciçamente em home office, mudou o mundo do trabalho, as expectativas das pessoas e as relações profissionais que não vão voltar ao que era antes”, explica Clarice Cecchini, especialista em estratégias de aprendizagem, inovação e curadoria de conteúdo.

A constatação também foi apontada pelos trabalhadores que participaram de uma pesquisa realizada pela plataforma Pega, empresa de tecnologia dedicada em desenvolver softwares, sobre o futuro do mercado de trabalho. O levantamento mostra que 78% dos colaboradores entrevistados acham que, nos próximos dois anos, a tecnologia vai mudar “muito” ou “significativamente” a forma como trabalhamos, deixando inclusive mais interessante ou flexível.

O trabalho presencial em xeque

Uma pesquisa da Workana, plataforma que conecta freelancers a empresas da América Latina, indica a intenção de 84,2% dos líderes entrevistados de continuar com o trabalho remoto, mesmo depois do isolamento social ser extinto. Reuniões on-line e integração e treinamentos remotos são algumas rotinas que as empresas querem levar para o fim da pandemia.

Dessa forma, a expectativa é que o mercado experimente uma onda de inovações dos modelos híbridos, com as companhias testando cada vez mais métodos até encontrarem aquelas que servem melhor a elas.

“Temos a oportunidade de reconstruir novos modelos que sejam mais adequados aos tipos de negócios, de organização e de empresas, levando em consideração contextos locais e a realidade das pessoas”, explica a especialista em estratégias de aprendizagem.

Se antes os empresários entendiam que a eficiência de seus empregados estava atrelada ao espaço físico, agora, entenderam que a chave é a tecnologia bem usada. Mesmo com os desafios da comunicação impostos pela distância, os trabalhadores seguem conectados: o home office não significa trabalhar sozinho.

Além de produtividade, flexibilidade, comodidade e qualidade de vida, o trabalho remoto também reduz custos, já notado pelas empresas brasileiras. “Entendemos o valor dos encontros presenciais e das possibilidades de resolver questões de forma híbrida, levando em consideração a realidade dos funcionários”, diz. Segundo ela, chegou a hora de mudar a sentença ‘quem é visto, não é lembrado’. “Precisamos superar isso, ainda que os novos formatos estejam se constituindo.”

Na pesquisa da IDC Brasil e da Google Workspace, por exemplo, 62% dos entrevistados afirmaram ter trabalhado mais neste período. No entanto, indicaram aumento na valorização da flexibilidade dos horários durante a jornada e de não gastar tempo nos deslocamentos.

Já dentro do estudo da Workona, os funcionários entrevistados acreditam ser possível cumprir com suas responsabilidades mesmo trabalhando à distância. Além disso, a pesquisa indicou que a possibilidade de fazer home office já é levada em conta na hora de escolher a empresa em que se quer trabalhar.

Saúde e qualidade de vida para o novo modelo

Se por um lado as empresas reduziram os custos com o espaço físico, por outro, elas precisam concentrar os esforços no desenvolvimento dos profissionais que estão nas equipes, com principal atenção ao equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional e a saúde mental.

“A preocupação das pessoas com a saúde psicológica e o bem-estar foi uma mudança importante e questões como essas devem fazer parte das estratégias de gestão das empresas, olhando os papéis desempenhados pelos colaboradores”, afirma Clara.

O futuro das profissões

Ainda é cedo, segundo especialistas, para dizer como será o futuro do mercado de trabalho, no entanto, é sabido que a nossa entrada de vez na realidade cercada das tecnologias e serviços digitais é um caminho sem volta e em constante desenvolvimento. “Entendemos que praticamente todas as profissões existentes serão alteradas e transformadas após essa experiência vivida na pandemia”, diz Clara.

Assim, os profissionais vão precisar se abrir para novas perspectivas e ideias e se prepararem para os impactos da entrada definitiva das tecnologias digitais nas nossas vidas. Clara lembra que o futuro do trabalho não se resume em home office ou que as ferramentas tecnológicas sozinhas serão suficientes: organização, criatividade, colaboração e aprendizado são elementos fundamentais para nortear essas profissões que vão surgir. “É um coquetel de competências de como se compõe a identidade profissional, quais as habilidades vão funcionar, que fazem sentido. É desenvolver o autoconhecimento para estar sempre pronto”, finaliza a especialista.

Trabalho remoto ou presencial: o que fica depois da pandemia?
Trabalho remoto ou presencial: o que fica depois da pandemia?